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Databricks quer 'maximizar valor', não tokens, diz country manager no Brasil

Country manager da empresa diz que Brasil é uma das regiões que mais cresce no uso do agente conversacional Genie no mundo

Ricardo Buffon: country manager da Databricks no Brasil (Databricks/Divulgação)

Ricardo Buffon: country manager da Databricks no Brasil (Databricks/Divulgação)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 21 de agosto de 2026 às 16h14.

Última atualização em 21 de agosto de 2026 às 16h15.

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*PRAIA DO FORTE - BA | Para a Databricks, o problema não é quanto uma empresa gasta com inteligência artificial (IA), mas quanto valor ela extrai disso — o que, segundo Ricardo Buffon, country manager da Databricks no Brasil, em entrevista à EXAME no IT Forum Praia do Forte 2026, é mais importante que o "tokenmaxxing".

Tokens são a unidade de medida usada para cobrar pelo uso de modelos de IA — cada palavra ou fragmento de texto processado por um modelo consome uma certa quantidade deles, e é esse consumo que aparece na fatura de quem contrata a tecnologia. Com a adoção corporativa em massa, empresas passaram a gastar cada vez mais tokens sem necessariamente medir o retorno disso — o famigerado tokenmaxxing: maximizar o uso, não o resultado.

É esse comportamento que a Databricks diz combater. "A gente tem uma expressão muito interessante, que é o value maxing", diz . "As soluções da Databricks são muito voltadas à governança. Esse é um dos nossos principais pilares", afirma.

Segundo ele, as soluções da empresa são construídas em torno dessa governança. Uma ferramenta chamada Unity AI Gateway permite definir, por usuário ou por grupo, qual modelo de IA cada pessoa pode usar — tanto modelos fechados quanto abertos — e medir a produtividade extraída dali, em vez de simplesmente liberar o consumo de tokens sem controle.

"Isso faz com que você consiga ter muito mais valor daquilo que você está construindo em IA e garante que a pessoa que está utilizando a ferramenta esteja utilizando pelo motivo correto", diz Buffon.

O dobro de Brasil

A operação brasileira da Databricks cresceu rápido. No país, o time quase dobrou em 12 meses, chegando a mais de 250 funcionários, todos baseados no escritório próprio inaugurado em São Paulo há pouco mais de um ano.

Segundo ele, o espaço brasileiro nasceu da necessidade de dar à operação local um ponto de encontro com clientes. "O que eu mais gosto no nosso escritório é que todos os dias a gente tá recebendo clientes lá, para fazer treinamentos, para entender mais das nossas soluções", afirma.

A receita no Brasil cresceu cerca de 150% nos últimos dois anos, puxada principalmente pela adoção de produtos de IA — tendência que, segundo Buffon, se repete globalmente. "A gente vem num ritmo muito acelerado no mundo inteiro, e IA é um dos produtos que mais puxam o nosso crescimento hoje em dia", diz.

Um dos indicadores citados pelo executivo é o uso do Genie, agente conversacional da empresa que permite interagir com dados em linguagem natural. "A América Latina é a região que mais cresce na utilização desse produto. Isso demonstra o quanto a gente está avançado em relação à utilização — mesmo comparado com outros países desenvolvidos", afirma.

Como exemplo, cita a Cielo, que migrou mais de seis mil pipelines de dados para a plataforma e hoje dá acesso a essas informações a mais de 1.100 usuários por meio do Genie. "Eles conseguem fazer perguntas em linguagem natural e ter uma resposta sobre isso, em um dado confiável, 100% governado e totalmente seguro", diz.

Segundo ele, a mudança também trouxe ganho financeiro direto. "Eles conseguiram ter uma redução de custos na casa de 40% com a ingestão de dados vindo para a nossa ferramenta", afirma.

Sem IPO no horizonte

Apesar do crescimento, Buffon evitou falar sobre uma possível abertura de capital da Databricks. "A gente não pode falar sobre o IPO, porque isso não está previsto", diz.

A empresa fechou, na semana passada, uma nova rodada de US$ 5 bilhões que levou seu valuation a US$ 190 bilhões — a mais recente de uma sequência de captações bilionárias que somam mais de US$ 20 bilhões nos últimos 20 meses.

Segundo o CEO Ali Ghodsi, em entrevista ao TechCrunch, a Databricks pretendia levantar apenas US$ 1 bilhão desta vez, mas viu o interesse de investidores disparar depois que a imprensa noticiou a movimentação — só entre o grupo de fundos que a empresa avaliou, a demanda chegou a US$ 15 bilhões. Para não desagradar investidores de longa data, a companhia decidiu emitir mais ações e ampliar a rodada.

A empresa hoje opera com receita anualizada de US$ 7 bilhões, crescendo 80% ao ano e com fluxo de caixa positivo, segundo Ghodsi. Parte desse dinheiro será usada para bancar contratos multibilionários com os grandes provedores de nuvem, pesquisa em IA — a empresa mantém um time de 100 pesquisadores na área — e uma sequência de aquisições recentes, incluindo as startups Electric, Panther, LakeWatch e Antimatter.

Buffon afirma que, no curto prazo, a Databricks pretende seguir como uma empresa de capital fechado.

*A jornalista viajou a convite do IT Forum

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