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Como usar o DeepSeek: guia prático para testar a IA chinesa mais comentada de 2026 (Samuel Boivin/Getty Images)
Jornalista
Publicado em 10 de julho de 2026 às 16h20.
O DeepSeek se tornou um dos nomes mais citados na indústria de inteligência artificial desde o lançamento do modelo R1, no início de 2025. Fundada em Hangzhou, na China, a startup ganhou destaque por oferecer modelos avançados a um custo de desenvolvimento e uso bem abaixo do praticado por concorrentes ocidentais. Em 2026, a empresa ampliou essa vantagem com a série V4, reforçando sua posição no mercado de IA generativa.
Para o usuário comum, a forma mais simples de utilizar o DeepSeek é pelo chat oficial, em chat.deepseek.com, ou pelo aplicativo para celular. O acesso ao chat e ao app é gratuito para uso pessoal, sem anúncios ou compras dentro do aplicativo. Entre os recursos disponíveis estão login por e-mail ou contas Google e Apple, upload de arquivos e busca na web integrada.
Basta digitar uma pergunta ou solicitação no campo de texto — desde resumos e traduções até apoio em cálculos e revisão de textos — para receber uma resposta. É recomendável baixar o aplicativo apenas pelos canais oficiais, verificando o desenvolvedor antes da instalação.
Empresas e desenvolvedores podem integrar o DeepSeek a sistemas próprios via API, cobrada por volume de tokens processados (a unidade usada pelo modelo para interpretar texto). A API do DeepSeek custa uma fração do valor cobrado por modelos concorrentes de porte semelhante, o que tem atraído aplicações sensíveis a custo, como chatbots e ferramentas de automação.
O principal diferencial técnico do DeepSeek está na forma como o modelo processa cada solicitação. A versão V4 usa a técnica Mixture-of-Experts, que aciona apenas parte dos "especialistas" internos do sistema em cada tarefa, ativando no máximo 37 bilhões de parâmetros por requisição em um modelo de 1 trilhão de parâmetros ao todo. Na prática, isso significa gastar menos capacidade computacional para gerar cada resposta — e, consequentemente, cobrar menos por isso.
A empresa também apresentou a Hybrid Attention Architecture, técnica que melhora a capacidade do modelo de manter o contexto ao longo de conversas longas. Já a versão mais recente do sistema passou a suportar uma janela de contexto de 1 milhão de tokens, volume suficiente para processar documentos extensos em uma única interação.
Diferente da maioria dos concorrentes diretos, o DeepSeek disponibiliza os pesos de seus modelos publicamente. Isso permite que desenvolvedores baixem, adaptem e executem o sistema em infraestrutura própria, sem depender de um único fornecedor — característica que tem impulsionado a adoção da ferramenta em mercados emergentes e por equipes técnicas com orçamento limitado.
O modelo tende a ser mais competitivo em tarefas de alto volume e baixo custo por interação, como classificação de textos, resumos, atendimento automatizado e apoio à programação. Em raciocínio matemático avançado e em confiabilidade no uso de ferramentas integradas, modelos concorrentes de ponta ainda mantêm vantagem em avaliações comparativas — diferença que a própria DeepSeek reconhece publicamente.
Antes de adotar o DeepSeek em rotinas de trabalho, vale considerar três pontos: o tipo de tarefa (tarefas repetitivas e de grande volume tendem a se beneficiar mais do custo reduzido), a sensibilidade dos dados enviados (a política de privacidade da empresa prevê armazenamento de informações em servidores na China) e a comparação direta com a ferramenta já utilizada, testando o mesmo prompt em mais de um modelo antes de decidir.