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O que separa os profissionais de alta performance na era da inteligência artificial (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 10 de julho de 2026 às 16h32.
Dominar ferramentas de inteligência artificial se tornou parte do cotidiano profissional, mas os dados mostram que isso, sozinho, não garante bons resultados. Estudos recentes indicam que o que separa profissionais de alta performance dos demais está menos na tecnologia em si e mais na forma como ela é aplicada no trabalho diário.
Um levantamento da McKinsey com quase duas mil empresas mostrou que o grupo de organizações de alto desempenho em IA tem 3,6 vezes mais chances de dizer que pretende usar a tecnologia para promover mudanças estruturais nos próximos três anos. Essas mesmas organizações também têm três vezes mais chances de contar com forte envolvimento da liderança sênior no uso da IA.
Segundo o mesmo estudo, mais de um terço das organizações de alto desempenho destina acima de 20% do orçamento digital à inteligência artificial. O padrão sugere que a diferença não está apenas em usar a ferramenta, mas em investir tempo e atenção estratégica para integrá-la aos processos.
O relatório Habilidades em Alta 2026, do LinkedIn, aponta que a inteligência artificial deixou de ser um tema restrito a áreas técnicas e passou a integrar o cotidiano de praticamente todas as funções, elevando o nível de exigência das organizações. Ainda assim, um em cada cinco profissionais no mundo afirma que a falta de qualificação dificulta a busca por emprego.
O mesmo levantamento mostra que cresce a demanda por conhecimento em modelos de linguagem, integração de sistemas e segurança da informação, somada a competências como liderança estratégica, escuta ativa e resolução colaborativa de problemas. Saber operar uma ferramenta de IA é o ponto de partida — não o diferencial.
A McKinsey Global Institute reforça esse raciocínio ao apontar que mais de 70% das habilidades humanas podem ser aplicadas tanto em tarefas automatizáveis quanto em tarefas que não podem ser automatizadas. Na prática, isso significa que julgamento, análise de contexto e comunicação seguem decisivos mesmo em funções já apoiadas por IA.
Um estudo do Fórum Econômico Mundial mostra que 94% dos líderes empresariais enfrentam hoje escassez de profissionais com competências críticas em IA, e um em cada três relata lacunas de 40% ou mais. O documento associa esse cenário à necessidade de repensar funções em torno da colaboração entre pessoas e sistemas inteligentes, e não apenas da automação de tarefas.
No Brasil, a busca de empresas por profissionais com conhecimento em inteligência artificial cresceu 306% no último ano, segundo levantamento de empregabilidade da Gupy. O dado indica que a demanda por profissionais capazes de aplicar IA de forma estratégica já é realidade concreta do mercado local, não uma tendência distante.
Os dados sugerem três direções concretas para quem busca se diferenciar: aprofundar o uso estratégico da IA além das tarefas básicas, desenvolver pensamento crítico para avaliar resultados gerados por sistemas automatizados e investir em habilidades comportamentais como liderança e comunicação. Nenhuma dessas competências substitui a outra — elas se complementam.
Acompanhar estudos e atualizações do setor também ajuda a identificar, com antecedência, quais competências ganham relevância em cada área de atuação.