Cobrança indevida no app do banco: como contestar e pedir o estorno pelo celular (Getty Images/Getty Images)
Colaboradora
Publicado em 23 de julho de 2026 às 09h45.
Última atualização em 31 de agosto de 2026 às 16h08.
Uma cobrança que o cliente não reconhece na fatura ou no extrato pode ser resolvida sem ligar para a central e sem ir à agência.
Os aplicativos dos bancos brasileiros já oferecem seções de contestação de compra, cancelamento de débito automático e até acionamento do Mecanismo Especial de Devolução do Pix (MED) direto pela tela do celular.
Qualquer valor debitado sem autorização do titular da conta se enquadra nessa categoria. Os casos mais frequentes envolvem:
O Código de Defesa do Consumidor (CDC), no artigo 42, parágrafo único, garante ao consumidor que pagou valor indevido o direito à restituição em dobro, com correção monetária, salvo nos casos em que a instituição comprove engano justificável.
O procedimento interno dos bancos para disputar uma transação no cartão chama-se chargeback. O passo a passo funciona assim:
A maioria dos bancos aplica um crédito provisório na fatura enquanto a bandeira analisa a contestação. Esse processo pode levar de 45 a 90 dias conforme a instituição e da bandeira do cartão.
Há um detalhe que poucos consumidores conhecem. O artigo 54-G, inciso I, do CDC determina que, se o cliente notificar a administradora do cartão com pelo menos dez dias de antecedência em relação ao vencimento da fatura, ele pode deduzir o valor contestado e pagar apenas a parte não disputada — sem que isso gere inadimplência ou juros sobre o montante em análise.
Quando uma empresa continua cobrando via débito automático após o cancelamento de um serviço, o caminho é revogar a autorização de débito antes de disputar o valor já descontado. No app:
Esse bloqueio impede novas cobranças daquela empresa a partir da data da exclusão. Para recuperar os valores já debitados, o cliente precisa abrir uma contestação separada pelo chat ou SAC do app. É importante informar que o serviço havia sido cancelado e anexar o comprovante de cancelamento.
Golpes envolvendo Pix não seguem o fluxo comum de contestação. O Banco Central criou o Mecanismo Especial de Devolução (MED) para esses casos:
O prazo para acionar o MED é de até 80 dias a partir da data da transferência. Quanto mais rápido o registro — de preferência no mesmo dia —, maiores as chances de o dinheiro ainda estar disponível para bloqueio na conta do fraudador.
O MED não se aplica a transferências feitas por engano sem envolvimento de fraude (por exemplo, digitar a chave Pix errada). Nesses casos, a recuperação depende de negociação direta com o recebedor ou de ação judicial.
A documentação do caso é o que separa uma reclamação resolvida em dias de uma que se arrasta por meses. O registro mínimo inclui:
Se a resposta do banco for insatisfatória ou não vier no prazo informado, a escalada segue uma ordem definida:
Se nenhuma dessas vias resolver, o consumidor pode recorrer ao Juizado Especial Cível para valores de até 20 salários mínimos, sem necessidade de advogado.