Inteligência Artificial

Como toda big tech: OpenAI quer expandir receita via anúncios no ChatGPT

Empresa quer triplicar receita em 2026 e enfrenta pressão para financiar expansão que pode custar mais de US$ 100 bilhões nos próximos anos

Sam Altman, CEO da OpenAI: empresa estuda diferentes métodos para aumentar receita a curto prazo

Sam Altman, CEO da OpenAI: empresa estuda diferentes métodos para aumentar receita a curto prazo

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 17h19.

Última atualização em 12 de fevereiro de 2026 às 17h36.

A OpenAI quer triplicar sua receita em 2026. Os US$ 13 bilhões registrados no último ano já não são considerados suficientes para sustentar o ritmo de expansão da companhia comandada por Sam Altman. A resposta pode incluir uma mudança simbólica: a introdução de anúncios em aplicativos populares como o ChatGPT.

O movimento contraria declarações anteriores do próprio Altman. Em entrevistas passadas, ele afirmou que inserir publicidade nas respostas da inteligência artificial poderia comprometer a confiança dos usuários e deveria ser "o último recurso". Agora, a necessidade de financiar uma infraestrutura cada vez mais cara parece estar forçando a empresa a reconsiderar essa posição.

A OpenAI vive uma fase de gastos agressivos. Até 2029, a companhia projeta investir cerca de US$ 115 bilhões na expansão de capacidade computacional e no desenvolvimento de novas tecnologias. No horizonte de longo prazo, estimativas de mercado apontam que os investimentos totais podem ultrapassar US$ 1 trilhão, considerando infraestrutura, parcerias e custos operacionais.

Na rodada mais recente de captação, a empresa levantou US$ 40 bilhões, com apoio de gigantes como Microsoft e Nvidia, que também se beneficiam diretamente do avanço da inteligência artificial generativa.

Pressão por novos negócios

A busca por sustentabilidade financeira vai além da publicidade. Altman tem explorado parcerias com fundos soberanos, incluindo investidores da Arábia Saudita, que poderiam elevar o valor de mercado da OpenAI para algo próximo de US$ 750 bilhões. O conglomerado japonês SoftBank também discute aportes.

Atualmente, cerca de 70% da receita da OpenAI vem de assinaturas do ChatGPT, com planos que variam entre R$ 39,90 e R$ 1.200, na versão Pro. Ainda assim, apenas 6% da base de usuários paga por algum dos três planos disponíveis. A monetização ainda depende de uma fatia relativamente pequena da audiência total.

Outra alternativa no radar é uma eventual abertura de capital. Segundo o The New York Times, a OpenAI avalia a possibilidade de se tornar uma empresa pública já em 2026, embora a decisão ainda não esteja tomada.

Internamente, a companhia também aposta que avanços científicos possam abrir novas frentes de receita. Sarah Frier, chefe da divisão financeira da OpenAI, indicou que o foco crescente em aplicações voltadas à pesquisa científica pode gerar descobertas com potencial comercial relevante.

Foco corporativo como saída

Para analistas, o caminho mais provável é aprofundar a presença no mercado empresarial. O banco UBS defende em relatórios que a OpenAI precisa acelerar a venda de soluções corporativas.

A estratégia inclui o desenvolvimento de agentes de IA capazes de executar tarefas complexas dentro de empresas, como foi o caso do Frontier, ferramenta lançada na semana passada e noticiada com exclusividade por EXAME.

A evolução técnica dos modelos reforça esse movimento. Nesta semana, Matt Shumer, CEO da HyperWrite AI, afirmou ter ficado “chocado” com a capacidade do novo GPT-5.3 Codex, destacando um salto significativo na performance em tarefas avançadas.

A equação da OpenAI é clara: quanto mais poderosa a tecnologia, maior o custo para sustentá-la, e maior a urgência para monetizá-la.[/grifar]

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