Inteligência Artificial

Com fim do Sora, OpenAI deixa na mesa contrato de US$ 1 bilhão com a Disney

Encerramento da plataforma de vídeos por IA derruba parceria de três anos com a Disney e reforça a guinada da dona do ChatGPT para robótica e ferramentas corporativas

OpenAI e Disney: fim do Sora faz acordo de US$ 1 bilhão evaporar

OpenAI e Disney: fim do Sora faz acordo de US$ 1 bilhão evaporar

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 25 de março de 2026 às 09h25.

A OpenAI confirmou o fim do Sora, aplicativo de vídeos gerados por inteligência artificial, e a decisão já tem um efeito concreto fora da empresa: a companhia deixa para trás um acordo de US$ 1 bilhão com a Disney, que previa investimento financeiro e licenciamento de personagens para a plataforma.

Em comunicado publicado na terça-feira, dia 24, a empresa disse que ainda vai detalhar o calendário para o encerramento do aplicativo e de sua API, a interface usada por desenvolvedores. Em mensagem na rede X, a OpenAI agradeceu aos usuários que criaram vídeos com a ferramenta e reconheceu que a notícia pode frustrar parte da comunidade.

O impacto mais visível da decisão recai sobre a parceria com a Disney. Inicialmente revelado pelo The Hollywood Reporter e depois confirmado pela empresa de entretenimento, o acordo previa uma colaboração de três anos que permitiria aos usuários do Sora gerar vídeos com personagens de propriedades intelectuais da Disney. Agora, esse plano não vai mais adiante.

Segundo a Reuters, uma fonte afirmou que a Disney foi pega de surpresa pelo encerramento do produto. Publicamente, porém, a companhia adotou um tom diplomático e disse respeitar a decisão da OpenAI de sair da área de geração de vídeo.

O caso chama atenção porque a parceria era uma tentativa de dar tração comercial e legitimidade ao Sora em meio às disputas sobre uso de conteúdo protegido por direitos autorais. Ao perder esse acordo, a OpenAI não abandona apenas um aplicativo, mas também uma vitrine importante para mostrar que seu produto poderia operar com personagens licenciados e dentro das regras da indústria do entretenimento.

Mesmo com o fim do projeto conjunto, a Disney afirmou que seguirá estudando a tecnologia generativa. Em nota, a empresa disse que pretende continuar em contato com plataformas de IA para buscar novas formas de alcançar fãs, desde que o uso da tecnologia respeite a propriedade intelectual e os direitos dos criadores.

Esse trecho ajuda a mostrar que o fim do Sora não representa um recuo da Disney em relação à IA como um todo. A empresa deixa aberta a possibilidade de fechar acordos com outras plataformas, desde que encontre parceiros capazes de oferecer mais previsibilidade jurídica e comercial.

Nesse cenário, a ByteDance, dona do TikTok, tende a ficar fora dessa disputa no curto prazo. Seu aplicativo de vídeos por IA, o Seedance, foi alvo de notificações judiciais após circular conteúdos não autorizados com rostos e personagens de estúdios como Disney, Paramount Pictures, Warner Bros. e Netflix. A plataforma também foi criticada pelo sindicato dos atores de Hollywood.

Sora saiu do lançamento barulhento para o declínio rápido

O encerramento do produto também ocorre depois de um enfraquecimento do interesse do público. Segundo os dados citados no texto, o Sora registrou 3,2 milhões de downloads em novembro, mas perdeu 1 milhão entre dezembro e janeiro nas lojas App Store e Google Play. Depois do impulso inicial, o app entrou em queda rápida de atenção: primeiro com recuo de 32% e, no mês seguinte, com desinteresse de 45%.

A leitura da OpenAI parece ser a de que manter o Sora consumiria recursos demais para um retorno cada vez menos claro. Por isso, a empresa decidiu concentrar equipes e capacidade computacional em áreas consideradas mais estratégicas para seu próximo ciclo de crescimento.

Essas áreas incluem robótica e sistemas agênticos, nome usado para assistentes de IA capazes de executar diferentes tarefas de forma mais autônoma a partir de um só sistema. A mudança também combina com a tentativa da OpenAI de se posicionar melhor diante de clientes corporativos, segmento visto como mais promissor para ampliar receita.

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