Patrocinado por:
OpenAI: empresa vai expandir operação de enterprise no Brasil (Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 04h57.
Última atualização em 18 de agosto de 2026 às 12h02.
Os brasileiros enviam cerca de 215 milhões de mensagens por dia ao ChatGPT — o equivalente a uma mensagem para cada pessoa do país, todos os dias. É a maior taxa de uso que a OpenAI registra em qualquer mercado, segundo dados da empresa.
"O Brasil rapidamente se tornou um dos três maiores mercados da OpenAI em número de usuários ativos", afirma Oliver Jay, vice-presidente de estratégia e operações internacionais da empresa, em entrevista à EXAME.
Em novembro de 2025, eram aproximadamente 140 milhões de mensagens diárias. O número de usuários quase dobrou em relação ao ano anterior, e o português é hoje o terceiro idioma mais usado na plataforma globalmente.
Agora, o foco da companhia é outro: as empresas. O número de licenças corporativas no Brasil aumentou cinco vezes em relação ao ano anterior, e o país está entre os dez maiores mercados de uso da OpenAI por empresas locais.
"Talvez seja o segmento que mais cresce", diz Jay. "Empresas como Nubank, Itaú e Localiza estão reinventando fluxos de trabalho internos e construindo novos produtos com IA."
A empresa anuncia uma parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) para dar acesso ao ChatGPT, em sua versão educacional, a todos os funcionários, estudantes e professores da instituição.
Também há acordos com o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e com o Hospital das Clínicas da USP, voltados a organizações que desenham e testam políticas práticas de inteligência artificial (IA).
Na frente de letramento, a OpenAI fechou parceria com o Sebrae para um programa nacional voltado a pequenas e médias empresas. Outra, a Enter, empresa de IA jurídica, tem como meta treinar cerca de 1,4 milhão de advogados brasileiros.
"Não acreditamos que a IA deva ficar nas mãos de poucas pessoas e empresas", diz Jay. Segundo ele, apesar da adoção alta, existe "uma lacuna crescente entre quantas pessoas realmente extraem todo o valor possível da ferramenta".
Em junho, 35% das mensagens classificadas de contas individuais no Brasil estavam relacionadas ao trabalho — acima da média global, de 30%. Os dados abrangem apenas planos individuais, excluindo contas gerenciadas por empresas.
Entre essas mensagens de trabalho, 53% envolviam pedir ao sistema que concluísse uma tarefa ou produzisse um resultado, e não apenas que respondesse a uma dúvida. A escrita respondeu por 39% dessas mensagens; orientação prática, por 22%; e multimídia, por 16%.
O uso se distribui por faixas etárias: 63% das mensagens de junho vieram de pessoas de 18 a 34 anos, e 37% de pessoas com 35 anos ou mais, entre usuários que informaram a idade.
"Em geração de imagens, o Brasil é, per capita, o número um do mundo", afirma Jay. O país também está entre os cinco principais mercados em recursos de voz e edição, e o número de usuários semanais do modo de voz dobrou no último ano.
Em mensagens não relacionadas ao trabalho, o Brasil usa recursos multimídia em proporção maior que a média global: 12%, ante 8% no mundo — participação que vinha de 10% em abril.
O amor na era dos tokens: por que tanta gente se apaixona, namora e até casa com IAs"Isso mostra que os brasileiros estão trazendo sua língua, sua cultura e sua criatividade para o uso da IA", diz o executivo.
O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de desenvolvedores que usam a interface de programação (API) da OpenAI — recurso que permite incorporar funções de IA a produtos próprios.
"Existe toda uma geração de empresas sendo construída em cima dos nossos modelos", afirma Jay.
O movimento se repete no Codex, ferramenta de desenvolvimento de software da empresa. O Brasil é o maior mercado da América Latina para o produto. Desde o início do ano, o número de usuários semanais cresceu mais de onze vezes, e as interações diárias aumentaram quase trinta vezes.
Questionado sobre o principal obstáculo da empresa no país, Jay dá uma resposta incomum para uma companhia em expansão: acompanhar o próprio crescimento.
"Vemos uma velocidade de escape na forma como os brasileiros estão adotando IA, e não conseguimos contratar rápido o suficiente para apoiar essa adoção", afirma.
A OpenAI vem investindo em toda a cadeia de produção da tecnologia, incluindo chips próprios — a empresa anunciou o Jalapeño, voltado a inferência, que, segundo Jay, deve ajudar a reduzir o custo da IA.
Ele criou um fórum no Reddit para sabotar o negócio bilionário da IA no GoogleSobre a possibilidade de construir infraestrutura no Brasil, o executivo não confirma nem descarta. "Estamos abertos a conversas sobre construir data centers no Brasil. Não temos nada a anunciar, mas é algo que estamos pensando", diz.