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ChapsVision: a pequena empresa francesa que tenta destronar a Palantir

Conheça a ChapsVision, startup francesa que venceu a Palantir em contrato de inteligência na França e avança pela Europa em busca de soberania de dados

ChapsVision: empresa quer o trono da Palantir na França (Imagem/Divulgação/Fundo gerado por IA/Exame)

ChapsVision: empresa quer o trono da Palantir na França (Imagem/Divulgação/Fundo gerado por IA/Exame)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 25 de agosto de 2026 às 11h59.

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Uma empresa francesa pouco conhecida quer se tornar a resposta europeia à Palantir, à medida que governos do continente tentam reduzir a dependência de empresas de tecnologia americanas.

A ChapsVision, que venceu em junho um contrato do governo francês para substituir a Palantir na agência de inteligência doméstica do país, negocia agora com outros governos da União Europeia e disputa contratos importantes de defesa e polícia na Alemanha.

A tese comercial da empresa é que as preocupações europeias com soberania de dados, somadas ao desconforto crescente com os laços políticos e o modelo de operação da Palantir, abriram espaço para uma plataforma de dados europeia.

"Nós não somos, e não queremos ser, uma caixa-preta [...] Nossos algoritmos, nossa arquitetura e nosso código são transparentes. Eles são abertos", disse Silvano Sansoni, diretor-geral do grupo ChapsVision, ao Financial Times.

Um teste em escala nacional

O projeto francês também inclui contratos para criar a infraestrutura de dados de todos os ministérios do governo e cerca de 50 agências públicas — o que transforma o caso em um teste de larga escala sobre se uma solução soberana consegue ser implementada nessa dimensão.

A Palantir, cujo software é amplamente usado por agências de defesa e inteligência dos Estados Unidos, tem enfrentado escrutínio crescente em partes da Europa, à medida que governos reavaliam sua dependência de empresas de tecnologia americanas.

As Forças Armadas da Alemanha já excluíram a Palantir de contratos, enquanto autoridades da Dinamarca e da Holanda também afirmaram querer se desvincular da empresa americana.

Autoridades suíças recusaram-se a adotar o software da Palantir, e, no Reino Unido, um contrato de £ 330 milhões com o sistema de saúde público enfrentou forte escrutínio — o prefeito de Londres chegou a vetar um contrato de £ 50 milhões com a polícia metropolitana da cidade.

Um modelo de negócio diferente

Além do argumento da soberania, a ChapsVision também desafia o modelo de negócio da Palantir. Segundo Sansoni, o software da empresa não exige a dependência de longo prazo de engenheiros embutidos nas operações do cliente — uma marca registrada da abordagem da Palantir.

"Nosso objetivo é transferir as competências para o cliente e depois seguir para o próximo projeto. Nós, como desenvolvedores de software, não pretendemos ficar com o cliente por 10 ou 40 anos e, por assim dizer, assumir o controle do negócio dele", afirmou.

Sediada em Paris, a ChapsVision — cujo nome vem das iniciais dos filhos do fundador Olivier Dellenbach — começou em 2019 desenvolvendo ferramentas para o setor financeiro.

Desde então, cresceu até cerca de 200 milhões de euros em receita anual, boa parte desse crescimento vindo de aquisições: a empresa já fez quase 30 aquisições, incorporando expertise em áreas como IA de tradução, software de defesa e busca semântica, na tentativa de se tornar uma campeã europeia de dados.

Metade do negócio da ChapsVision vem do setor público, mas a empresa também atende grandes companhias como Pfizer, LVMH, L'Oréal, Airbus, Safran, ExxonMobil, Total e AstraZeneca. Com apoio de investidores como Bpifrance, Tikehau, Jolt e Qalium, a ChapsVision avalia uma possível oferta pública inicial (IPO) até o fim da década.

O movimento europeu por soberania tecnológica já ajudou a empresa a fechar um contrato de inteligência com a Alemanha neste ano. A ChapsVision também disputa diretamente com a Palantir dois grandes contratos alemães: um com a polícia da Renânia do Norte-Vestfália e outro com a Bundeswehr, as forças armadas do país.

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Ceticismo sobre a motivação política

A implementação do software da ChapsVision na agência de inteligência doméstica francesa vai testar se o país consegue substituir uma plataforma americana crítica por uma alternativa nacional, depois de anos de resultados mistos em projetos digitais apoiados pelo Estado.

Sob o presidente Emmanuel Macron, a França tem buscado promover tecnologias nacionais, embora vários projetos digitais estatais tenham sofrido com contratações fragmentadas, falhas técnicas ou adoção limitada.

A migração da Palantir para as ferramentas da ChapsVision na inteligência francesa deve levar até dois anos, enquanto o governo amplia a capacidade computacional, transfere dados de inteligência e treina funcionários. "O produto está pronto, trabalhamos nele por quatro anos [...] mas é o cliente quem determina o cronograma", disse Sansoni ao FT, acrescentando que o "objetivo" agora é garantir outros projetos públicos de grande escala com base nesse primeiro contrato.

Ainda assim, a ChapsVision enfrenta uma disputa desigual contra a rival, muito maior: a Palantir tem valor de mercado de US$ 418 bilhões e reportou receita anual de US$ 4,5 bilhões em 2025.

Sansoni reconhece que "a humildade é importante", diante de uma concorrente com "investimentos muito maiores". "Mas ainda assim conseguimos nos posicionar em fatores diferenciadores para os clientes. Buscamos principalmente as áreas onde se poderia dizer que a Palantir é menos eficaz", afirmou.

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