A procura por retiros nas Filipinas subiu 323% no último ano, a maior alta entre todos os destinos mapeados pelo relatório da BookRetreats.com (Pexels)
Jonalista colaborador
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 11h55.
Nas Filipinas, aulas de ioga ao amanhecer dividem espaço com trilhas de surf e sessões de meditação em ilhas cercadas por falésias de calcário. É esse tipo de cenário que vem puxando a maior alta de procura por retiros de bem-estar do mundo, segundo o relatório The State of Retreats, divulgado pela plataforma de reservas BookRetreats.com. O levantamento cruza dados de busca e reserva do próprio site com uma pesquisa feita com 1.040 viajantes americanos.
O apetite por esse tipo de viagem cresceu de forma consistente. 64% dos viajantes dos Estados Unidos já têm um retiro planejado para os próximos meses. Descanso e relaxamento seguem como o motivo mais citado, com 62% das respostas, mas a saúde mental já aparece em 37% e a recuperação de burnout em 35%. Reconectar-se com a natureza motiva 25% dos entrevistados. O perfil de quem procura esse tipo de experiência também mudou: a geração X lidera em volume de reservas, mas a geração Z é a que mais cresce, com boa parte buscando o primeiro retiro da vida.
A procura por retiros no arquipélago filipino subiu 323% na comparação anual, o maior salto entre todos os destinos mapeados pelo relatório. A combinação de praias remotas, floresta tropical e opções que vão do surf ao silêncio total explica parte do interesse. Em Palawan, retiros em regime totalmente off-grid, sem internet e sem sinal de celular, prometem um desligamento real do viajante. Em Bohol, o cenário são florestas de altitude com práticas de Qigong e banho de floresta. No site da BookRetreats, um retiro de sete dias em Catanduanes custa a partir de US$ 1.801, o equivalente a R$ 9.275, considerando a cotação atual do dólar.
A Austrália aparece logo atrás, com alta de 255% nas buscas, superando até a Indonésia, que caiu para a 11ª posição depois de anos como sinônimo de retiro de bem-estar. O país australiano tem hoje mais de 4.700 experiências de bem-estar cadastradas, misturando trilhas, praia e programas voltados a movimento e mindfulness ao ar livre.
O Parlamento húngaro à beira do Danúbio, em Budapeste. O país aparece em terceiro lugar entre os destinos que mais crescem em busca de retiros de bem-estar (Pexels)
A Hungria fecha o top três com um conceito batizado pelo relatório de contrast dosing, a alternância entre calor e frio em ambientes abertos. Banhos termais húngaros, rios glaciais em altitude e saunas seguidas de imersão em água gelada entram nessa categoria, que também aparece na Suíça, onde o cenário alpino reforça a proposta. Na Holanda, a busca cresce por experiências mais introspectivas, dos retiros de silêncio às sessões guiadas com uso terapêutico de psicodélicos. Já na Alemanha, o banho de floresta e o ritual de sauna Aufguss, que combina calor, vapor e óleos essenciais, sustentam a quinta posição no ranking.
Outros destinos aparecem por motivos específico, como o Vietnã, que se destaca pelo custo mais baixo entre os retiros pesquisados. A Romênia atrai quem busca desconexão total, com estadias remotas voltadas à observação do céu noturno, tendência chamada de celestial bathing. Sri Lanka e Bali seguem relevantes pela tradição em práticas contemplativas, enquanto a Itália lidera o crescimento de retiros culinários, nos quais a cozinha local substitui o roteiro turístico convencional.