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Anthropic: empresa dobra aposta eleitoral em disputa com a OpenAI pela regulação do setor (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 22 de julho de 2026 às 10h59.
A Anthropic, desenvolvedora do Claude, dobrou seu aporte nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que ocorrem em novembro. A empresa destinou mais US$ 20 milhões ao Public First Action, grupo político que apoia candidatos favoráveis à regulação da inteligência artificial (IA), elevando a contribuição total a US$ 40 milhões.
Segundo um porta-voz do grupo, os recursos da Anthropic são restritos à educação do público sobre políticas de IA, e não podem ser usados para fins eleitorais diretos. A empresa divulgou a própria doação, embora o Public First Action não revele seus doadores.
O aporte se insere em uma disputa que opõe os principais laboratórios de IA em Washington.
De um lado, o Public First Action, ligado à Anthropic, defende regras mais rígidas e se opõe a esforços federais para anular leis estaduais de IA.
De outro, o Leading the Future, apoiado por lideranças como o presidente da OpenAI, Greg Brockman, e o investidor Marc Andreessen, em geral resiste à regulação mais estrita.
A diferença central está no tipo de moldura regulatória. Boa parte do setor pressiona por um marco nacional único, que se sobreponha a um mosaico de leis estaduais.
A Anthropic, por sua vez, sustenta que governos devem poder bloquear sistemas de IA considerados perigosos.
O Leading the Future levantou US$ 125 milhões desde a fundação, em agosto de 2025, segundo a organização.
O Public First Action informou ter arrecadado US$ 80 milhões até o fim de junho, dos quais US$ 20 milhões vieram da Anthropic no aporte inicial.
Até o fim de junho, os dois maiores comitês de ação política voltados à IA haviam destinado ao menos US$ 44 milhões a 40 candidatos à Câmara e ao Senado, segundo análise da CNBC sobre dados da Comissão Federal Eleitoral.
Juntos, os grupos dizem ter arrecadado mais de US$ 200 milhões para o restante do ciclo eleitoral.
Os dois lados já se enfrentaram diretamente.
Na primária democrata de Manhattan, grupos ligados à OpenAI e à Anthropic gastaram, somados, mais de US$ 15 milhões a favor e contra Alex Bores, deputado estadual que foi coautor de um projeto que exige das empresas de IA a divulgação de incidentes de segurança.
A onda de gastos gerou alerta entre grupos de fiscalização, que classificaram parte do dinheiro como "dark money" (recursos cuja origem não é totalmente rastreável) e alertaram para o risco de o setor moldar a própria regulação antes de a tecnologia ser plenamente compreendida.
Uma peculiaridade reforça a leitura crítica — a publicidade financiada pelos comitês do setor tem saturado a mídia local com mensagens sobre segurança pública e custo de vida, sem mencionar a IA.
Segundo Brad Carson, ex-congressista que ajuda a liderar o Public First, o público reconhece a importância do tema, mas a IA não é a primeira preocupação do eleitor nas urnas.
A movimentação ganha peso porque coincide com a definição, no Congresso americano, da primeira legislação nacional para regular o uso de IA — texto que esses comitês se posicionam para influenciar.