Dario Amodei, CEO da Anthropic: empresa nega envolvimento em campanhas políticas de parlamentares antes das eleições dos EUA (Getty Images)
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Publicado em 14 de abril de 2026 às 09h14.
No início de fevereiro, a Anthropic transferiu US$ 20 milhões ao grupo Public First Action, organização do tipo super PAC que defende uma regulação mais rigorosa da inteligência artificial nos Estados Unidos. Na época, o repasse foi interpretado como um claro sinal de que a empresa estava financiando anúncios políticos em favor de candidatos alinhados à segurança em IA. Agora, a empresa dona do Claude negou o boato em comunicado à Transformer.
Conforme um porta-voz da companhia, o dinheiro enviado não pode ser utilizado para qualquer tipo de atividade que possua influência direta em eleições federais. O objetivo declarado era financiar educação pública sobre política de IA e promover o uso responsável da tecnologia; o financiamento de campanhas de candidatos não estava incluso.
"A doação da Anthropic para a Public First Action foi uma contribuição para uma organização 501(c)(4) destinada exclusivamente a apoiar sua missão de educar o público sobre políticas de IA e promover uma IA segura e responsável", comentou a empresa em nota à Transformer.
O Public First Action é um dos super PACs que destinam milhões de dólares a gastos eleitorais declarados à autoridade eleitoral americana (FEC). Assim como as organizações Public First, Defending our Value e Jobs and Democracy, super PACs são fundos independentes que financiam ações em diferentes meios para apoiar ou prejudicar determinados candidatos. A intenção é moldar a opinião pública sem a intervenção de grupos políticos oficiais.
A limitação redimensiona o peso real do grupo no cenário político. O Public First Action e os três super PACs mencionados acima somaram até agora US$ 3,48 milhões em gastos eleitorais declarados à autoridade eleitoral americana (FEC). Por outro lado, o grupo rival Leading the Future, ligado à OpenAI, já declarou US$ 50 milhões em doações e afirma ter captado US$ 125 milhões no total, com contribuições de nomes como Greg Brockman, presidente da OpenAI, e os sócios do fundo Andreessen Horowitz.
Em entrevista ao The New York Times, Brad Carson, líder do Public First Action, disse que a organização arrecadou US$ 50 milhões. Ele afirmou a desproporção financeira entre os grupos não é um problema, já que pesquisas de opinião mostram amplo apoio popular de americanos a regras mais duras para a implementação de IA. O argumento, porém, fica mais frágil com a confirmação de que a principal doação do grupo não alimenta o caixa eleitoral.
Enquanto isso, a Anthropic e o Public First Action optaram por não vir à tona imediatamente com a explicação de que o dinheiro não está disponível para uso político. Assim, a percepção do público sobre a influência política do grupo apoiado por uma das maiores empresas de IA do mercado foi mantida de pé por meses; em ano de eleições nos EUA, a busca de companhias do ramo por aprovação governamental tende a crescer.
Na época, a empresa comunicou que "recursos significativos têm sido direcionados a organizações políticas que se opõem a esforços de segurança em IA", o que foi interpretado como um passo adiante em investimentos em campanhas de parlamentares com objetivos claros quanto ao avanço da tecnologia para alcance nacional.