Dario Amodei: CEO da Anthropic (Chance Yeh /Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 12 de abril de 2026 às 16h43.
Última atualização em 14 de abril de 2026 às 15h40.
A Anthropic pretende fincar operação própria no Brasil em 2026, com base em São Paulo, num passo que amplia a disputa local com a OpenAI no mercado de inteligência artificial. A companhia, conhecida pelo Claude, avalia que a presença física deve aproximá-la de clientes corporativos e startups da América Latina em uma fase de expansão acelerada.
A instalação do escritório ganhou tração após falas de executivos da empresa no evento Brazil at Silicon Valley, realizado nos Estados Unidos.
O escalado para liderar essa frente para a empresa ainda não foi revelado. Contudo, o brasileiro Marcelo Alvarenga foi contratado nos EUA para a função de “Go to Market”, o que pode indicar ser ele o responsável por escalar o Claude pelo país.
O executivo tem passagens por Couchbase, uma empresa americana de dados para IA, e passou por cargos de VP de vendas em empresas como Qualcomm e Amdocs.
Hoje, o Brasil aparece como o terceiro principal mercado do Claude, atrás somente de Estados Unidos e Índia. A empresa já começou a buscar profissionais para a frente comercial em São Paulo, numa indicação de que quer construir relacionamento mais próximo com unicórnios e empresas de crescimento acelerado da região, inclusive com oferta de suporte e créditos para uso da plataforma.
A chegada da Anthropic tende a colocar as duas maiores startups de IA generativa em disputa direta no mesmo centro empresarial do país. A OpenAI, criadora do ChatGPT, também trabalha para consolidar estrutura própria na capital paulista, o que transforma São Paulo em novo ponto de concorrência entre as companhias.
Essa rivalidade extrapola produto e preço. Nos últimos meses, a empresa liderada por Dario Amodei passou a explorar publicamente diferenças de posicionamento em relação à concorrente, especialmente em temas como publicidade em assistentes de IA e acordos institucionais com o governo dos Estados Unidos. Do outro lado, Sam Altman tem sugerido que a rival adota uma estratégia menos aberta de difusão da tecnologia.
A disputa, que já incluía modelos, contratos e narrativa pública, agora caminha para uma briga por presença física, clientes e influência no mercado brasileiro.