O simpático Sprout: robô tem cerca de 1,07 metro de altura (Getty Images)
Repórter
Publicado em 24 de março de 2026 às 17h00.
A Amazon anunciou a aquisição da Fauna Robotics, startup de Nova York que desenvolve um robô humanoide voltado ao uso doméstico e de escritório. Com a aquisição, a gigante de comércio eletrônico e computação em nuvem entra de forma mais direta na corrida por robôs com aparência humana para consumidores. O valor do negócio não foi divulgado.
A Fauna criou o Sprout, um robô de cerca de 1,07 metro de altura, com braços e pernas, capaz de interagir com pessoas, caminhar, segurar objetos e até dançar. A startup começou a enviar o equipamento a parceiros de pesquisa e desenvolvimento em janeiro.
A proposta da empresa é posicionar o Sprout como um assistente para tarefas simples em casas e escritórios, como recolher brinquedos e buscar comida na despensa. Segundo a Amazon, a startup continuará usando a marca própria, mas passará a ser apresentada como Fauna, an Amazon company.
A companhia americana confirmou a compra e afirmou estar animada com a visão da startup de criar robôs “capazes, seguros e divertidos para todos”. Cerca de 50 funcionários da Fauna serão incorporados à Amazon, e os cofundadores Rob Cochran e Josh Merel também passarão a integrar a empresa.
A Fauna ficará dentro do Personal Robotics Group, área ligada à divisão de operações da Amazon. Apesar disso, a empresa disse que não pretende usar o robô em seus centros logísticos neste momento e ainda não definiu exatamente como a tecnologia será oferecida ao consumidor final.
O movimento marca uma expansão da estratégia da Amazon em robótica. Até aqui, as compras da empresa nesse setor estavam mais ligadas a entregas e armazenagem. Na semana passada, por exemplo, a companhia confirmou a aquisição da Rivr, startup que fabrica um robô de quatro patas para ajudar motoristas de entrega.
A aposta agora é diferente. Em vez de focar apenas em depósitos e logística, a Amazon mira um mercado ainda embrionário, mas cada vez mais disputado: o de robôs humanoides para uso cotidiano. Se lançar um produto nessa linha, a empresa deverá disputar espaço com projetos como o Optimus, da Tesla, os robôs da Figure AI e iniciativas da Boston Dynamics. Apple, Meta e Google também já demonstraram interesse no segmento.
A Amazon já tentou entrar na casa do consumidor com o Astro, robô lançado em 2021, mas o produto teve alcance limitado. A compra da Fauna sugere uma nova tentativa, agora com uma máquina de formato mais próximo ao corpo humano e com proposta mais ampla de interação.
Além de funcionar como robô de companhia e apoio, o Sprout também foi pensado como uma plataforma para desenvolvedores. Pesquisadores podem criar aplicativos para o equipamento, que tem interação por voz e responde à palavra de ativação “Sprout”.
Segundo a empresa, o robô consegue reconhecer quando está sendo chamado, dar toque de mão, apertar mãos, acenar, engatinhar e formar memórias ao longo do tempo. O aparelho foi projetado para, no futuro, circular também em ambientes com crianças e animais de estimação.
Na versão atual, o Sprout custa US$ 50 mil, usa inteligência artificial para manter o equilíbrio e tem bateria removível com autonomia de cerca de três horas. O sistema roda na plataforma Jetson Orin, da Nvidia, e inclui alto-falantes duplos, 1 terabyte de armazenamento e um conjunto de luzes de LED.
Fundada com apoio de investidores como Kleiner Perkins, Quiet Capital e Lux Capital, a Fauna levantou ao menos US$ 30 milhões antes da venda. Agora, passa a fazer parte de uma empresa que combina poder financeiro, experiência em robótica e presença consolidada dentro da casa de milhões de consumidores.
Em resumo: a Amazon decidiu entrar mais fundo no mercado de robôs humanoides para consumidores ao comprar uma startup que ainda está em fase inicial, mas já tem um produto funcional. A aposta é que, no futuro, esse tipo de máquina deixe de ser demonstração de laboratório e vire mais um aparelho doméstico conectado.