Inteligência Artificial

A caminho do maior IPO da história, Musk mistura IA e espaço

Fusão entre SpaceX e xAI cria gigante de US$ 1,25 trilhão e levanta alertas sobre governança, caixa e conflitos de interesse

SpaceX: empresa prepara IPO  (Daniel Hull/Getty Images)

SpaceX: empresa prepara IPO (Daniel Hull/Getty Images)

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 05h40.

Última atualização em 3 de fevereiro de 2026 às 06h16.

Elon Musk decidiu combinar a SpaceX e a xAI em uma operação feita exclusivamente com troca de ações, criando uma companhia que deve ser avaliada em US$ 1,25 trilhão, segundo a Bloomberg. No acordo, a SpaceX recebeu avaliação de US$ 1 trilhão, enquanto a xAI foi precificada em US$ 250 bilhões.

A reação inicial do mercado, no entanto, foi negativa. Investidores demonstraram preocupação com a complexidade da operação e com o impacto financeiro da xAI, que consome grandes volumes de capital. Às 5h28, no horário de Brasília, Musk havia perdido cerca de US$ 6,1 bilhões, o equivalente a apenas 0,80% de sua fortuna total, de acordo com a Forbes. Na segunda-feira, 2, as ações da Tesla (TSLA) encerraram o pregão em queda de 2%.

Em comunicado, a SpaceX afirmou que a incorporação da xAI pretende criar uma estrutura integrada que reúna lançamentos espaciais, internet via satélite, comunicações diretas com dispositivos móveis e sistemas avançados de inteligência artificial. A empresa descreveu a nova organização como uma plataforma verticalizada voltada à inovação em larga escala.

“Minha estimativa é que, dentro de 2 a 3 anos, a maneira mais barata de gerar poder computacional para IA será no espaço”, escreveu Musk em publicação no X (antigo Twitter), empresa que também é comandada por ele. “Essa relação custo-benefício, por si só, permitirá que empresas inovadoras avancem no treinamento de seus modelos de IA e no processamento de dados em velocidades e escalas sem precedentes, acelerando descobertas importantes em nossa compreensão da física e a invenção de tecnologias que beneficiarão a humanidade.”

IPO da SpaceX permanece nos planos

Apesar da fusão, a SpaceX segue com planos de abrir capital ainda neste ano, disseram fontes à Bloomberg. A oferta pública inicial pode levantar até US$ 50 bilhões, o que a colocaria como a maior abertura de capital da história.

Até o momento, o maior IPO foi o da Saudi Aramco, em 2019. A estatal de energia da Arábia Saudita bateu recorde ao levantar US$ 29,4 bilhões na abertura de capital. O Alibaba, por sua vez, levantou US$ 25 bilhões em 2014.

Os termos do IPO, incluindo preço e avaliação final, ainda não foram divulgados. A expectativa é que o crescimento da Starlink, rede que já conta com mais de 9.000 satélites, seja um dos principais motores da tese para investidores.

Mas a operação levanta dúvidas sobre governança e alocação de recursos dentro do império de Musk.

A xAI é considerada uma operação intensiva em capital, com consumo mensal estimado em cerca de US$ 1 bilhão, o que aumenta o risco financeiro da estrutura combinada.

SpaceX segue como principal ativo do grupo

Entre os negócios de Musk, a SpaceX é vista como o mais sólido. A empresa é hoje a única dos Estados Unidos capaz de transportar regularmente astronautas à Estação Espacial Internacional e atua como fornecedora estratégica da Nasa e do Departamento de Defesa.

A receita gerada pela Starlink já supera a obtida com lançamentos de foguetes e é considerada uma das principais fontes potenciais de financiamento para projetos mais arriscados, como a xAI.

Após o anúncio da fusão, a SpaceX também informou um problema técnico em um foguete Falcon 9 após o lançamento de satélites da Starlink. A empresa afirmou que os equipamentos foram corretamente colocados em órbita e que análises estão em andamento antes da retomada dos voos.

Um foguete para a salvação

Para analistas, a decisão de Musk de unir a SpaceX e a xAI atende menos a uma lógica de sinergia tecnológica e mais à necessidade de oferecer um suporte financeiro à empresa de inteligência artificial, que enfrenta consumo elevado de caixa em meio à competição com rivais mais consolidados.

O movimento, segundo especialistas do mercado, aumenta o nível de risco para investidores e amplia ainda mais a complexidade do grupo de empresas controladas por Musk — que são: Tesla, SpaceX, xAI, X, entre outras.

A leitura mais crítica classifica a xAI como um negócio intensivo em capital, com dificuldades para competir simultaneamente no mercado de inteligência artificial e no ecossistema ligado à plataforma X.

Para esses analistas, a fusão cria uma rota de liquidez para investidores privados da xAI por meio do IPO planejado da SpaceX, em vez de resolver fragilidades estruturais do modelo de negócios.

Há paralelos explícitos com operações anteriores lideradas por Musk, em que empresas com maior geração de caixa absorveram ativos pressionados financeiramente. O episódio mais citado é a aquisição da SolarCity, em 2016, que também gerou questionamentos sobre conflitos de interesse.

Outro ponto central das análises envolve a Tesla, que investiu US$ 2 bilhões na xAI. Com a fusão, acionistas da montadora passam a ter uma exposição indireta à SpaceX, sem clareza sobre retorno financeiro, governança ou prioridade estratégica.

Analistas destacam que a estrutura acionária de Musk — com participações relevantes e controle concentrado em diferentes empresas — dificulta avaliar quem se beneficia de cada transação. Há críticas diretas ao conselho da Tesla, apontado como pouco disposto a questionar movimentos de consolidação entre companhias do grupo.

Acompanhe tudo sobre:Elon MuskSpaceX

Mais de Inteligência Artificial

OpenAI contrata Bruno Lewicki como head de políticas públicas para a América Latina

OpenAI testa domínio da Nvidia ao buscar novos chips de IA

Antes do ChatGPT: a previsão de 1950 que antecipou a IA atual

Entenda o que o encontro entre a medicina tradicional chinesa e a IA está criando