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NR1 e saúde mental: como a norma de 2026 pode transformar o ambiente de trabalho

Claudia Securato e Glauco Callia​ discutem as implicações da NR1 para a saúde mental nas empresas a partir de 2026

 (Fiordaliso/Getty Images)

(Fiordaliso/Getty Images)

Publicado em 25 de março de 2026 às 15h03.

O evento sobre a NR1 e Saúde Mental, realizado pela EXAME em parceria com a Saint Paul, reuniu gestores, RHs e líderes empresariais para discutir a nova legislação que entra em vigor em maio de 2026. 

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 exigirá das empresas a gestão de riscos psicossociais, tornando a saúde mental um ponto central nas políticas de compliance e gestão de riscos corporativos.

Especialistas como Claudia Securato, advogada trabalhista e especialista da Saint Paul em NR1 e Saúde Mental, e Glauco Callia, CEO da Zenith, marcaram presença e trouxeram insights valiosos sobre como as empresas devem se preparar para os desafios e oportunidades que surgem com a nova norma.

“As empresas mais afetadas pelo burnout são as de varejo e educação”, disse a advogada.

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O contexto regulatório: NR1 e os riscos psicossociais

Com a atualização da NR1, as empresas deverão incorporar à sua rotina a gestão de riscos psicossociais — fatores de risco como o burnout, estresse e assédio, que impactam diretamente a saúde mental e a produtividade dos colaboradores.

Durante o evento, Claudia Securato destacou a necessidade de preparação das empresas. “Tem muitos riscos psicossociais que são difíceis de detectar. Como são trabalhados esses temas dentro da empresa?”, questionou, enfatizando que a identificação precoce e a gestão eficiente desses riscos serão cruciais para o cumprimento da norma.

Outro ponto importante levantado foi o impacto sobre os setores mais vulneráveis, como o varejo e a educação, que já apresentam índices elevados de problemas relacionados à saúde mental no trabalho.

“Eu entendo que vai ter uma força-tarefa para essa nova norma ser implementada. Vamos fiscalizar empresas de logística, vamos fiscalizar aprendizes. Vai precisar dessa força tarefa”, conta Claudia.

A norma na prática: como as empresas devem se adaptar

A implementação da NR1 requer mais do que uma mudança de abordagem: ela demanda uma verdadeira transformação na gestão de riscos ocupacionais.

Glauco Callia, CEO da Zenith e especialista em gestão de riscos psicossociais, explicou que muitas empresas ainda buscam soluções rápidas e simplificadas, como checklists genéricos, sem uma base científica sólida. 

“Se eu identifico o risco, eu tenho que ter uma matriz de risco. Isso tem que ser rastreável, tem que funcionar dentro de uma linha PDCA ", ele ressaltou.

A introdução de matrizes de risco ocupacional será fundamental para que as empresas possam identificar as áreas mais vulneráveis e tomar ações preventivas. Callia também apontou que, para que a norma seja eficaz, é preciso mais do que apenas ferramentas adequadas; é necessário um compromisso das lideranças e a integração de toda a cadeia de gestão.

“O controle de voo americano tem 20% a menos de controladores do que deveria. O controlador está estressado? O que eu faço? Eu dou um psicólogo ou eu resolvo o headcount?”, conta Callia.

Saúde mental como vantagem competitiva

Para além da implementação obrigatória da NR1, o evento também abordou as oportunidades que a gestão eficaz da saúde mental pode trazer às empresas. Em um mercado altamente competitivo, empresas que conseguirem criar ambientes de trabalho mais saudáveis e que promovam o bem-estar de seus colaboradores terão um diferencial estratégico.

Securato destacou a importância de “transformar compliance, saúde mental e prevenção em parte da cultura e da estratégia organizacional.” A implementação da NR1 pode, portanto, se tornar não apenas uma exigência legal, mas também um pilar fundamental para o fortalecimento da imagem corporativa e a retenção de talentos.

NR1: a preparação antecipada como diferencial estratégico nas empresas

À medida que 2026 se aproxima, a NR1 se posiciona como um marco regulatório que muda radicalmente a forma como as empresas lidam com a saúde mental no ambiente de trabalho. A preparação antecipada será crucial para garantir a conformidade e transformar essa mudança em uma vantagem competitiva.

O evento de hoje reforçou a urgência de adaptação das empresas e destacou que o futuro do trabalho depende de gestão de riscos psicossociais eficiente e de uma liderança capacitada.

“Se você tem a entrada pelo sistema com a identificação necessária do risco, você vai conseguir o quê? Ter materiais e métodos para saber se aquele estresse é relacionado ao trabalho ou não”, diz o CEO. 

As empresas que anteciparem essa mudança estarão mais preparadas para garantir a saúde mental de seus colaboradores e melhorar o desempenho organizacional, em um cenário cada vez mais desafiador.

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