Carreira

‘Você trabalha de casa, mas não cresce de casa’, diz CEO sobre home office

Para o presidente da Pague Menos, o trabalho remoto pode limitar o crescimento profissional, especialmente no início da carreira. Executivo também comenta sobre a possível escala 6x1 no varejo

Jonas Marques, CEO da Pague Menos: “Queira o trabalho físico. Queira olho no olho. Aprenda, lidere. De casa, você não aprende isso. Isso é relacionamento humano” (Leandro Fonseca /Exame)

Jonas Marques, CEO da Pague Menos: “Queira o trabalho físico. Queira olho no olho. Aprenda, lidere. De casa, você não aprende isso. Isso é relacionamento humano” (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 24 de março de 2026 às 11h10.

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O avanço do home office nos últimos anos transformou a forma de trabalhar, mas, para Jonas Marques, CEO da Pague Menos, o modelo tem limitações importantes, especialmente no início da carreira.

Em entrevista ao podcast De Frente com CEO, da EXAME, o executivo deixou um conselho para profissionais que queiram avançar na carreira, principalmente para os que estão começando no mercado de trabalho:

“Você trabalha de casa, mas não cresce de casa”, diz Marques.

Para ele, o ambiente presencial ainda é fundamental para o desenvolvimento de habilidades que vão além da execução técnica, como liderança, comunicação e relacionamento.

“Queira o trabalho físico. Queira olho no olho. Aprenda, lidere. De casa, você não aprende isso. Isso é relacionamento humano”, afirma.

A fala vai na contramão de uma tendência que ganhou força após a pandemia, com empresas adotando modelos híbridos ou totalmente remotos. Ainda assim, Marques defende que, principalmente para jovens profissionais, a convivência no ambiente de trabalho é insubstituível.

Veja também: ‘Em julho chegará o produto similar do Ozempic’, diz CEO da Pague Menos

Escala 6x1: adaptação no radar

Além do debate sobre o modelo de trabalho, outro tema que preocupa o varejo é a possível mudança na escala 6x1, regime em que o trabalhador atua seis dias e descansa um.

O assunto tem ganhado força no Brasil e pode impactar diretamente setores com operação contínua, como o farmacêutico.

Segundo o CEO da Pague Menos, segunda maior rede de farmácias do Brasil, a companhia já se prepara para os diferentes cenários.

“Nós não somos contra a escala 5x2. Se ela vier a ser aprovada, a gente vai se adaptar”, diz.

Apesar disso, ele ressalta que a mudança exige atenção, especialmente no varejo, que funciona aos fins de semana e, em muitos casos, 24 horas por dia.

“Ela não é uma mudança banal, porque mexe com atividades como o varejo, que está aberto aos domingos e muitas vezes 24 horas”, afirma.

O executivo também levanta uma reflexão sobre os possíveis efeitos da mudança na dinâmica de trabalho.

“Será que a gente está preparado para essa mudança? Eu tenho uma dúvida real sobre isso”, diz o CEO.

Veja também: “Minha missão é acabar com a escala 6x1”, diz criador do Movimento VAT (Vida Além do Trabalho)

Trabalho, aprendizado e contexto

Para Marques, tanto o debate sobre o home office quanto o da jornada de trabalho precisam ser analisados dentro do contexto de cada setor e da realidade do país.

Ele reconhece que há uma tendência global de flexibilização das jornadas, mas defende que mudanças estruturais exigem preparação.

“A gente tem que preparar as pessoas para o que isso significa”, afirma.

No caso do trabalho remoto, o modelo, segundo ele, pode funcionar para profissionais mais experientes ou para algumas áreas como TI, mas tende a limitar o desenvolvimento de quem está começando.

Já no caso da escala 6x1, a adaptação é possível, mas trará desafios para o setor, como abrir um negócio menos dias (como os supermercados do Espírito Santo já estão fazendo ao fechar aos domingos) ou contratar mais pessoas.

Em um setor considerado essencial, como o farmacêutico, a equação envolve não apenas produtividade, mas também acesso da população a serviços de saúde.

“A maioria das nossas lojas está aberta 24 horas, afinal somos um serviço de utilidade pública”, afirma o presidente.

Diante de um mercado de trabalho em transformação, Marques defende três pilares para o futuro: aprendizado contínuo, convivência e adaptação, uma combinação que, segundo ele, define não apenas o desempenho das empresas, mas a evolução das pessoas dentro delas.

Veja também: Será o fim da escala 6x1 no Brasil? Varejistas, hotéis e até mineradoras já se movimentam

Sobre a Pague Menos

Fundada em 1981, em Fortaleza (CE), a Pague Menos se consolidou como uma das maiores redes de farmácias do país, com forte presença nas regiões Norte e Nordeste.

  • Faturamento: R$ 16 bilhões (2025)
  • Funcionários: cerca de 27 mil
  • Clientes: 22,2 milhões
  • Lojas: mais de 1.600 unidades em todo o Brasil
  • Presença: operação nacional, com cerca de 70% do negócio concentrado no Norte e Nordeste

A companhia é hoje a segunda maior rede de farmácias do Brasil e tem apostado em expansão de lojas, fortalecimento da operação e maior acesso a medicamentos como principais alavancas de crescimento.

Veja a entrevista completa de Jonas Marques, CEO da Pague Menos, sobre trajetória profissional, futuro do trabalho e expectativas com o negócio no podcast "De frente com CEO", da EXAME:

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