A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 está reposicionando o papel do RH dentro das empresas, ao transformar a gestão de riscos psicossociais em uma pauta central de negócio.
Dados apresentados pela Gupy durante o HR4Results 2026 mostram que o impacto desses riscos vai muito além da saúde, afeta diretamente a produtividade, a retenção e os resultados das organizações.
O custo invisível que pressiona os resultados
Um dos principais alertas do estudo está no impacto financeiro indireto. Entre 70% e 90% dos custos relacionados a riscos psicossociais não aparecem nas despesas médicas, mas sim em perdas operacionais.
Absenteísmo, presenteísmo e rotatividade formam a base desse impacto silencioso, que compromete a eficiência das equipes e a capacidade de entrega das empresas.
Leve programas In Company sob medida para sua empresa e transforme desenvolvimento em resultado estratégico real.
Esse dado reforça uma mudança importante na atuação do RH. O cuidado com saúde mental deixa de ser apenas uma pauta de bem-estar e passa a ser uma variável crítica de performance.
NR-1 amplia responsabilidade e exige nova atuação do RH
A atualização da NR-1 amplia o escopo de responsabilidade das empresas, incluindo fatores como estresse, sobrecarga e esgotamento profissional na gestão de riscos.
Para as lideranças de RH, isso representa uma mudança estrutural. Não se trata mais apenas de cumprir exigências legais, mas de integrar a gestão de riscos humanos à estratégia do negócio.
“A NR-1 acelera uma mudança estrutural. O cuidado com saúde mental e organização do trabalho passa a fazer parte da governança”, afirma Mariana Dias, CEO da Gupy.
Dados mostram avanço da crise de saúde mental
Os números reforçam a urgência do tema. Benefícios concedidos por transtornos mentais saltaram de pouco mais de 200 mil em 2021 para mais de 540 mil em 2025.
Dentro das empresas, os índices de risco psicossocial são elevados em todos os portes. Pequenas, médias e grandes organizações apresentam níveis semelhantes, indicando que o problema é sistêmico.
Setores como Tecnologia, Educação e Varejo aparecem com alta incidência de risco, com até 70% dos colaboradores sinalizando algum nível de alerta.
Burnout e assédio ampliam o risco organizacional
O relatório também destaca a distribuição de burnout entre setores. Varejo, Educação e Marketing lideram os índices, seguidos por áreas como hotelaria e setor público.
Além disso, o assédio segue como um fator crítico e subnotificado. Embora 35% das mulheres relatem já ter sofrido assédio sexual, apenas 10% utilizaram canais formais de denúncia.
O medo de retaliação, a exposição e a descrença nos canais internos aparecem como principais barreiras, evidenciando falhas estruturais na gestão desses temas.
De compliance à performance
O estudo propõe um novo olhar para o RH. A gestão de riscos humanos deve ser estruturada com base em dados, indicadores e ações práticas.
“Mais do que cumprir a norma, é preciso transformar dados em gestão, com prioridades claras e resultados mensuráveis”, afirma Mariana Dias.
Esse movimento posiciona o RH como um agente estratégico, responsável não apenas por pessoas, mas pela sustentabilidade e competitividade do negócio.