As melhores em letras, sociologia, história e outras humanidades (Thinkstock)
Redatora
Publicado em 28 de julho de 2026 às 14h33.
CEOs e conselheiros com décadas de carreira têm cada vez mais recorrido a filosofia, semiótica e neurociência para tomar decisões. Não porque as ferramentas de gestão pararam de funcionar, mas porque o problema mudou de lugar: não é mais sobre saber executar, é sobre saber ler um cenário que os modelos tradicionais não captam mais.
Essa é a aposta por trás do SEER One-Day Edition, novo formato do programa da Escola de Negócios Saint Paul, que reúne no dia 4 de agosto, na Consolação, em São Paulo, CEOs, conselheiros, acionistas fundadores e executivos C-level em um único dia de imersão.
A Saint Paul não está sozinha nessa aposta. Levantamento sobre as principais escolas de negócios do país mostra que instituições como a Fundação Dom Cabral já apresentam a executivos temas de filosofia, sociologia, autoconhecimento, ética e virtudes antes mesmo de entrar em ferramentas técnicas de gestão.
O racional por trás dessa mudança também aparece em análises sobre o papel das escolas de negócios na formação de líderes: diretores de escolas europeias já defendem que decisões corporativas passem a dialogar mais de perto com ciências humanas e filosofia, como forma de repensar a gestão para além da maximização de lucro.
No Brasil, o dado que sustenta esse movimento vem de uma fonte com peso global. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, elaborado a partir de consulta a mais de mil empregadores ao redor do mundo, mapeia as habilidades que serão determinantes no mercado de trabalho até 2030.
Das dez com maior crescimento na lista, seis são trabalhadas ao longo do dia de programação do SEER, segundo a organização do evento.
O programa é dividido em quatro módulos ao longo de um único dia, das 8h às 18h. O primeiro, com José Claudio Securato, fundador da Saint Paul, trata de macroeconomia aplicada à tomada de decisão. Em seguida, o filósofo Newton Branda, ex-editor de publicações como Vogue e Forbes, conduz um bloco sobre estética como instrumento de leitura de contexto e liderança.
À tarde, José Ernesto Bologna, especialista em governança e sucessão, discute os limites entre decisão adaptativa e decisão reativa. O último bloco é conduzido por Keitiline Viacava, pós-doutora em neurociência cognitiva pela Georgetown University, sobre como sustentar escolhas em cenários sem resposta certa.
A validação do formato aparece nos relatos de quem já passou por edições anteriores do SEER. Elvira Presta, diretora financeira e de relações com investidores da Eletrobras, diz que o programa a tirou de sua zona de conforto ao trazer filosofia, ética e estética para dentro do processo decisório.
Para o advogado Fernando Eid Philipp, formado na Turma 3, a experiência gera "um desconforto produtivo", diz ele, com ferramentas de neurociência e filosofia pouco comuns em formações executivas tradicionais.