Repórter
Publicado em 2 de julho de 2026 às 12h28.
A epidemia de ebola na República Democrática do Congo ultrapassou a marca de 400 mortes e ganhou um novo foco de preocupação após a confirmação de um caso em Kisangani, cidade de cerca de 1,5 milhão de habitantes localizada no nordeste do país.
Dados divulgados nesta quinta-feira, 2, pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) apontam 438 mortes e 1.406 casos confirmados da doença.
O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio e é provocado pela cepa Bundibugyo, para a qual ainda não existe vacina ou tratamento específico.
A província de Ituri segue como o epicentro da epidemia. A região concentra 91,2% dos casos registrados e 83,6% das mortes, segundo o INSP. Localizada na fronteira com Uganda e Sudão do Sul, a província enfrenta dificuldades para conter a disseminação do vírus, enquanto autoridades reconhecem que a dimensão real do surto ainda pode ser maior do que a registrada oficialmente.
Além de Ituri, o ebola também foi identificado nas províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul. Nesta última, porém, nenhum novo caso confirmado foi registrado desde 26 de maio.
A chegada da doença a Kisangani elevou o nível de alerta das autoridades sanitárias. O caso foi confirmado após exames realizados no corpo de uma mulher de 24 anos, grávida de seis meses.
Segundo o INSP, o corpo da vítima foi transportado clandestinamente de motocicleta da zona sanitária de Nia Nia, em Ituri, para Kisangani. Como pessoas que morreram em decorrência do ebola permanecem altamente contagiosas, o deslocamento aumenta o risco de transmissão, especialmente durante rituais funerários.
Após a confirmação do caso, equipes de saúde iniciaram o rastreamento de contatos. Parte das pessoas identificadas foi transferida para Ituri para acompanhamento.
Transmitido pelo contato com fluidos corporais, o vírus ebola já provocou mais de 15 mil mortes na África nas últimas cinco décadas.
Na República Democrática do Congo, o maior surto da doença ocorreu entre 2018 e 2020, quando foram registrados cerca de 3.500 casos e quase 2.300 mortes.
*Com AFP