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Surto de ebola no Congo desafia OMS: apenas 45% dos contatos são rastreados

Conflitos armados e deslocamentos populacionais dificultam o controle da doença, que já causou 60 mortes

Ebola no Congo: OMS alerta que rastreamento de contatos está abaixo do nível necessário para conter o surto. ( Jospin Mwisha/AFP via Getty Images)

Ebola no Congo: OMS alerta que rastreamento de contatos está abaixo do nível necessário para conter o surto. ( Jospin Mwisha/AFP via Getty Images)

Publicado em 3 de junho de 2026 às 12h50.

Apenas 45% das pessoas que tiveram contato com pacientes infectados pela ebola estão sendo monitoradas na atual epidemia da doença na República Democrática do Congo, informou nesta quarta-feira, 3, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Segundo Tedros, o índice está muito abaixo da meta considerada ideal para conter a propagação do vírus. A OMS busca alcançar um nível de rastreamento próximo de 90% dos contatos identificados.

O alerta foi feito após uma visita do diretor-geral ao país africano, onde ele esteve em Bunia, cidade localizada na província de Ituri, região que concentra a maior parte dos casos registrados.

Atualmente, o surto já soma 344 infecções confirmadas e 60 mortes.

Conflitos dificultam combate à doença

De acordo com a OMS, a insegurança provocada por conflitos armados na região tem sido um dos principais obstáculos para o trabalho das equipes de saúde.

A presença de grupos armados e o grande número de deslocados internos dificultam a identificação e o acompanhamento de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados, etapa considerada essencial para interromper a cadeia de transmissão.

Tedros também afirmou que os primeiros casos demoraram a ser detectados, permitindo que o vírus avançasse antes da adoção das medidas de controle.

“O rastreamento de contatos na República Democrática do Congo não está onde deveria estar”, afirmou.

Casos recuperados trazem esperança

Apesar das dificuldades, o diretor-geral da OMS destacou avanços no tratamento dos pacientes. Segundo ele, seis pessoas já se recuperaram da doença no Congo e outras duas em Uganda, onde foram registrados 15 casos ligados ao mesmo surto.

Para Tedros, os dados mostram que a ebola pode ser tratada com sucesso quando os pacientes recebem atendimento médico rapidamente após o surgimento dos sintomas.

Após a viagem, ele afirmou ter ficado otimista com o trabalho realizado pelas autoridades locais e profissionais de saúde envolvidos no combate à epidemia.

O que é a ebola?

A doença pelo vírus Ebola é uma doença viral grave que pode provocar febre, hemorragias e falência de órgãos. O vírus é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou de animais contaminados.

As taxas de mortalidade variam conforme o surto e o acesso ao tratamento, mas podem superar 50% dos casos.

*Com EFE

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