(Miljan Zivkovic; /Getty Images)
Presidente da Creator Ads no Brasil
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 17h19.
Durante anos, as marcas seguiram uma lógica relativamente previsível para criar campanhas de mídia paga. Primeiro vinha o briefing. Depois a produção dos criativos. Em seguida, a mídia decidia quais peças receberiam mais investimento.
No modelo tradicional, a decisão sobre o que merecia orçamento era feita antes que qualquer consumidor tivesse contato com aquele conteúdo.
Mas essa lógica já começou a mudar. Cada vez mais, grandes anunciantes estão invertendo a ordem do processo. Em vez de apostar previamente em um criativo, deixam que o próprio comportamento da audiência indique quais histórias merecem ganhar escala. O conteúdo nasce de forma orgânica, é publicado por creators, gera sinais reais de interesse e só então recebe investimento em mídia.
Não se trata apenas de uma mudança de formato. É uma mudança na forma como decisões de marketing são tomadas. Durante muito tempo, a criatividade funcionava como uma hipótese. Hoje, ela pode funcionar como um experimento.
Na prática, o conteúdo de creators deixa de ser apenas uma etapa de awareness para se tornar um ambiente de aprendizado. Curtidas, tempo de visualização, compartilhamentos, comentários e retenção passam a oferecer evidências sobre quais narrativas realmente conectam com as pessoas antes mesmo do primeiro real investido em mídia.
É exatamente por isso que estratégias de Organic to Paid ganharam tanta relevância nos últimos anos. O movimento deixou de ser uma prática adotada por empresas mais digitais para se tornar parte da evolução das próprias plataformas. A Meta, por exemplo, ampliou significativamente suas soluções de Partnership Ads, permitindo que marcas transformem conteúdos publicados por creators em campanhas de mídia paga de maneira cada vez mais integrada e escalável. A própria companhia afirma que esse formato tende a gerar menor custo por aquisição e maior taxa de cliques em comparação com anúncios tradicionais.
Mas existe um aspecto dessa transformação que temos visto no Creator Ads e que considero ainda mais interessante: o Organic to Paid não muda apenas a forma de distribuir mídia. Ele muda a forma de produzir criatividade.
Quando uma marca sabe que apenas parte dos conteúdos será amplificada, o objetivo deixa de ser aprovar um único filme considerado perfeito. Passa a ser construir um portfólio de narrativas diferentes, com creators diferentes, linguagens diferentes e comunidades diferentes.
A audiência deixa de ser apenas destinatária da campanha. Ela passa a participar da seleção do que será a campanha.
Isso aproxima o marketing de uma lógica que já existe há muito tempo no desenvolvimento de produtos. Empresas lançam versões, observam comportamento dos consumidores, aprendem rapidamente e evoluem. O conteúdo passa a seguir um caminho semelhante.
Essa mudança também ajuda a explicar por que micro e nanocreators vêm ganhando tanto espaço.
Eles permitem que marcas testem múltiplas interpretações para uma mesma mensagem ao mesmo tempo. Em vez de apostar toda a verba em poucos criativos, torna-se possível distribuir experimentação entre dezenas ou centenas de vozes diferentes, identificando quais abordagens realmente despertam atenção antes de ampliar investimento.
Na Creator Ads, vemos isso acontecer diariamente. Em vez de tratar creators apenas como produtores de conteúdo, as marcas começam a enxergá-los como uma fonte contínua de inteligência criativa. Cada publicação gera aprendizados que ajudam a orientar as próximas decisões de mídia. O conteúdo deixa de ser apenas uma entrega de campanha. Passa a ser um ativo de dados.
Naturalmente, isso também cria novos desafios.
Se cada creator pode produzir diferentes interpretações para uma mesma campanha, o volume de conteúdo cresce rapidamente. Encontrar os materiais certos, obter permissões de uso, acompanhar indicadores, selecionar quais peças merecem investimento e ativá-las rapidamente exige uma infraestrutura que poucos times conseguem operar manualmente.
É justamente nesse ponto que a tecnologia passa a fazer diferença.
No Creator Ads, por exemplo, desenvolvemos a plataforma para conectar creator advertising e mídia dentro da mesma operação. Em vez de tratar conteúdo orgânico e performance como processos separados, a plataforma identifica os conteúdos com maior potencial e permite sua amplificação de forma integrada, reduzindo o trabalho operacional e acelerando decisões de mídia.
No fim, talvez a principal contribuição do Organic to Paid não seja apenas melhorar métricas de campanha. Ela representa uma mudança de mentalidade.
Durante décadas, o mercado investiu para descobrir o que funcionava. Agora, começa a investir naquilo que já demonstrou funcionar.
Pode parecer uma diferença sutil. Mas ela transforma completamente a relação entre criatividade, dados e mídia, e ajuda a explicar por que o Organic to Paid deixou de ser apenas uma tática para se tornar uma das mudanças mais relevantes na publicidade digital.