Banco Master (Reprodução/Banco Master)
Redação Exame
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 08h52.
Cerca de 150 mil credores do banco Master começam a receber, a partir desta segunda-feira, 19, os valores garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O número representa pouco menos da metade dos investidores que já deram entrada no pedido de ressarcimento até agora, segundo dados divulgados pelo próprio fundo no domingo, 18.
De acordo com o FGC, aproximadamente 369 mil pedidos de ressarcimento já foram registrados, de um universo estimado em 800 mil credores.
Desses, cerca de 150 mil investidores finalizaram todas as etapas do processo e avançaram para a fase de pagamento, que se inicia nesta segunda-feira. Os valores serão pagos à vista, em parcela única, diretamente na conta de titularidade do investidor.
O prazo para solicitação do ressarcimento foi aberto neste sábado, 17. Pessoas físicas devem fazer o pedido por meio do aplicativo do FGC, enquanto pessoas jurídicas utilizam o site da instituição. A liberação dos pagamentos ocorre após a conclusão das etapas de envio e validação da documentação exigida.
Em comunicado ao mercado, o diretor-presidente do FGC, Daniel Lima, afirmou que o porte da operação impactou o tempo necessário para a conclusão dos trabalhos. Ao todo, o fundo irá pagar R$ 40,6 bilhões em garantias, o que configura o maior resgate da história da instituição.
Inicialmente, a estimativa era de 1,6 milhão de credores e um desembolso de R$ 41,3 bilhões, números que foram posteriormente revisados.
Os recursos serão destinados aos investidores que aplicaram em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, em meio a "graves violações" às normas do sistema financeiro e problemas de liquidez.
A decisão ocorreu de forma concomitante a uma operação policial que investiga uma fraude estimada em cerca de R$ 12 bilhões.
A abertura do prazo para solicitações foi marcada por instabilidades no aplicativo do FGC neste sábado. O alto volume de acessos simultâneos dificultou o funcionamento do sistema, especialmente no envio de documentos e na finalização dos pedidos, segundo relatos de usuários e confirmação do próprio fundo.
No domingo, o FGC informou que o aplicativo teve suas operações restabelecidas e que não foram registrados novos problemas relevantes.
Segundo a instituição, o sistema está processando cerca de 9 mil pedidos por hora, o equivalente a aproximadamente 2,5 solicitações por segundo. O fundo reconheceu, no entanto, que picos pontuais de acesso ainda podem causar alguma lentidão.
O FGC também informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025, e reforçou sua capacidade de honrar integralmente os pagamentos das garantias.
Diante do volume de pagamentos, o FGC emitiu um alerta para tentativas de golpe envolvendo o processo de ressarcimento. A entidade reforçou que não cobra taxas, não antecipa valores, não utiliza intermediários e não entra em contato por WhatsApp ou SMS.
Segundo o diretor-presidente do fundo, é fundamental que os investidores utilizem apenas os canais oficiais do FGC, como o aplicativo, o site, telefone, e-mail e redes sociais. "Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos", afirmou.