Repórter
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 21h13.
Após a operação militar liderada pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, o governo de Donald Trump elevou o tom contra Cuba, cobrando mudanças imediatas por parte da ilha sob o regime comunista.
“O governo cubano tem uma escolha”, declarou Jeremy Lewin, representante do Departamento de Estado para assuntos humanitários, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 15 de janeiro. Segundo ele, caso Havana mantenha práticas de repressão e manipulação de recursos enviados como ajuda humanitária, será responsabilizada pelas consequências.
A referência à ofensiva na Venezuela serviu como sinal para Cuba, segundo Lewin. A ação das Forças Especiais norte-americanas, que retirou Maduro do poder, teria demonstrado o grau de seriedade da atual administração norte-americana.
“O que está acontecendo na Venezuela deve deixar claro para o regime cubano e para todos os outros déspotas do mundo que não se brinca com o presidente Trump”, afirmou.
A declaração foi classificada como erro de avaliação pelo vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, que reagiu às declarações em seu perfil na plataforma X. Para ele, as advertências americanas são “ameaças apocalípticas” sem fundamento.
Por outro lado, o Departamento de Estado anunciou o envio de US$ 3 milhões em ajuda emergencial ao povo cubano, atingido pelo furacão Melissa. O carregamento, composto por alimentos, kits de tratamento de água, utensílios domésticos e lanternas solares, foi despachado a partir de Miami com destino às cidades de Holguín e Santiago de Cuba.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, também comentou no X. Segundo ele, embora a assistência seja aceita “em princípio”, os EUA estariam instrumentalizando uma situação humanitária para alcançar objetivos políticos.
Cuba mantém relações próximas com a Venezuela, incluindo o envio de médicos, agentes de segurança e inteligência, em troca de petróleo com preços subsidiados. Durante a operação que culminou na prisão de Maduro, cerca de 30 cubanos que integravam sua equipe de segurança foram mortos. Os corpos foram enviados de volta à ilha na quinta-feira, em uma cerimônia com a presença de Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel.
O agravamento da crise econômica cubana, com escassez de alimentos, combustível e medicamentos, ocorre paralelamente à intensificação das parcerias com países adversários dos EUA, como Rússia e Irã — fatores que elevam a atenção de Washington.
Após a queda de Maduro, surgiram especulações sobre uma possível ação futura contra Havana. Trump, contudo, declarou no dia da ofensiva que o regime cubano poderia ruir por conta própria, sem necessidade de intervenção.
Ainda assim, o secretário de Estado Marco Rubio adotou um tom mais direto. “Se eu morasse em Havana e fizesse parte do governo, estaria preocupado”, disse ao lado do presidente. Rubio, filho de imigrantes cubanos, tem laços pessoais com a questão e já demonstrou interesse em projetar esse histórico político em eventuais ambições eleitorais.