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Amazon, Walmart e Uber querem que seu próximo pacote chegue voando

Amazon quer levar seu serviço de drones a quase 500 cidades dos EUA até o fim de 2026

De ovos a carregadores de celular: empresas ampliam uso de drones enquanto disputam espaço na logística de entregas americana (M Scott Brauer/Getty Images)

De ovos a carregadores de celular: empresas ampliam uso de drones enquanto disputam espaço na logística de entregas americana (M Scott Brauer/Getty Images)

Ana Dayse
Ana Dayse

Colaboradora

Publicado em 23 de agosto de 2026 às 13h09.

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A corrida para transformar entregas por drones em um serviço de larga escala ganhou força nos Estados Unidos. Amazon, Walmart, Uber e DoorDash estão ampliando operações, firmando parcerias e estabelecendo metas que podem mudar a logística de pedidos de produtos, alimentos e itens do dia a dia.

A Amazon colocou uma das metas mais ambiciosas sobre a mesa: levar o Prime Air a quase 500 cidades e municípios americanos até o fim de 2026. A projeção representa cerca de seis vezes a cobertura atual do serviço.

Hoje, a empresa opera a partir de 11 localidades. A expansão prevista inclui mercados como Chicago, Atlanta, Cleveland e Syracuse, em Nova York.

Os drones da Amazon podem transportar produtos elegíveis de até cinco libras, ou cerca de 2,3 quilos, com entregas que, segundo a companhia, podem ocorrer em menos de 30 minutos.

Amazon tenta transformar promessa de 2013 em operação de escala

A aposta não é nova. Em 2013, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, apresentou o projeto de entregas por drones e estimou que o serviço poderia começar em quatro ou cinco anos.

O cronograma não se confirmou. A expansão foi limitada por regulamentação, desafios técnicos e reclamações sobre o ruído provocado pelas aeronaves.

Agora, a companhia tenta acelerar a implantação. A Amazon afirma ter realizado centenas de milhares de entregas por drones em 2026.

Ainda assim, a tecnologia representa uma parcela pequena da operação logística da empresa. Segundo a ShipMatrix, a Amazon entrega quase 20 milhões de pacotes por dia nos Estados Unidos.

E os problemas não desapareceram completamente.

Em Richmond, no Texas, Lindsey Austen gravava a chegada de uma encomenda feita por drone quando o pacote terminou dentro da piscina de sua casa.

O episódio chama atenção justamente no momento em que as empresas tentam provar que a tecnologia pode deixar de ser experimental e se tornar parte da rotina de entregas.

Walmart já se aproxima de 2 milhões de entregas

O Walmart também está avançando na utilização de drones para entregas.

A empresa informou à Fortune que está próxima de atingir 2 milhões de entregas, depois de alcançar 1 milhão em maio.

A operação atende pedidos de produtos cotidianos, como ovos, carne moída, carregadores de celular e cartuchos de tinta.

Para ampliar a cobertura, o Walmart trabalha com diferentes operadores, entre eles a Zipline e a Wing, empresa de drones pertencente à Alphabet.

A parceria com a Wing prevê mais de 270 locais de operação em 2027. A estrutura poderá alcançar mais de 40 milhões de americanos.

Uber entra no mercado sem desenvolver seus próprios drones

A Uber escolheu um caminho diferente para avançar nas entregas aéreas.

A empresa fechou uma parceria estratégica com a Zipline, em vez de desenvolver uma frota própria. O acordo prevê a chegada das entregas por drones ao Uber Eats ainda em 2026.

A Uber também fará um investimento de valor não divulgado na companhia, avaliada mais recentemente em US$ 7,6 bilhões.

A ambição conjunta é maior: chegar a 1 milhão de entregas por drones por dia até o fim de 2029.

Os drones serão integrados à rede de entregas do Uber Eats junto a entregadores humanos e robôs de calçada. A modalidade utilizada dependerá do pedido.

DoorDash aposta em modelo híbrido

A DoorDash também avança no segmento depois de receber uma certificação da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) para operar seu próprio serviço comercial de entregas por drones.

A empresa afirma que a tecnologia não substituirá os entregadores humanos, que continuam responsáveis pela maior parte dos milhões de pedidos realizados diariamente.

O modelo combina diferentes soluções: entregadores, o robô Dot e parceiros autônomos.

A DoorDash já realizou dezenas de milhares de entregas por drones. Em toda a sua operação, a empresa ultrapassou 10 bilhões de pedidos.

Por que as entregas por drones ainda não são comuns?

A expansão acontece apesar de obstáculos que acompanham a tecnologia desde os primeiros testes.

Os principais desafios são:

  • Regulamentação: operações precisam de autorizações federais e locais;
  • Capacidade: os drones têm limite de peso para os produtos transportados;
  • Autonomia: alcance e duração dos voos restringem as rotas;
  • Segurança: as aeronaves precisam operar sem colocar pessoas e propriedades em risco;
  • Privacidade: voos sobre áreas residenciais levantam questões sobre coleta e exposição de imagens;
  • Ruído: moradores já apresentaram reclamações sobre o barulho das aeronaves.
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