Saks: plano de recuperação entra em choque com investidores estratégicos (Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 16h26.
A Amazon tenta impedir que a Justiça dos Estados Unidos aceite o plano de recuperação judicial proposto pela Saks Global. Na ação, a gigante do comércio eletrônico afirma que a varejista de luxo descumpriu acordos firmados entre as partes e agora tenta avançar com uma reestruturação que pode reduzir as chances de pagamento aos credores.
O embate tem a ver com uma operação realizada em dezembro de 2024, quando a Saks comprou a Neiman Marcus por US$ 2,7 bilhões. À época, a Amazon entrou com US$ 475 milhões no negócio, em uma parceria comercial e do fornecimento de tecnologia e logística. Um dos pilares do acordo foi a criação da vitrine “Saks at Amazon”, dedicada à venda de moda e beleza de alto padrão dentro da plataforma de e-commerce.
Porém, segundo a Amazon, a estratégia não se sustentou financeiramente. Nos autos, a companhia afirma que a Saks não conseguiu cumprir com seus próprios orçamentos, consumiu centenas de milhões de dólares em menos de um ano e ainda acumulou valores expressivos em faturas não pagas a parceiros comerciais. Os advogados da Amazon afirmam que o investimento feito na varejista perdeu valor de forma praticamente integral.
Além da participação acionária, o acordo previa que a Saks pagaria uma taxa sobre os produtos vendidos no marketplace da Amazon, com um compromisso de repassar ao menos US$ 900 milhões à companhia ao longo de oito anos. Para a Amazon, o plano de financiamento proposto na recuperação judicial prejudica não apenas seus interesses, mas também os de outros credores, ao impor novas dívidas a partes do grupo que antes não as tinham e rebaixar sua posição na fila de recebimentos.
Nos documentos enviados ao tribunal, a Amazon diz esperar que a Saks revise o plano e atenda às preocupações levantadas. Caso contrário, a empresa sinaliza que pode recorrer a medidas mais duras, como solicitar a nomeação de administradores independentes para acompanhar o processo.
Durante uma audiência realizada nesta quarta-feira no tribunal de falências de Houston, o juiz Alfredo Perez autorizou a Saks a acessar até US$ 1,75 bilhão em financiamento emergencial, após a companhia argumentar que, sem esses recursos, enfrentaria uma liquidação imediata. O magistrado ainda não se pronunciou sobre o pedido específico da Amazon para bloquear ou alterar o plano.
A aquisição da Neiman Marcus atraiu diversos investidores para o capital da Saks, inclusive empresas de tecnologia. Para a Amazon, o acordo também representava uma oportunidade de fortalecer sua presença no segmento de luxo e avançar em sua estratégia de expansão no varejo físico — uma frente que a companhia vem testando com diferentes formatos ao longo dos últimos anos.
A empresa já adotou abordagens semelhantes no passado. Em 2022, por exemplo, comprou uma participação minoritária no aplicativo de entregas Grubhub, ampliando esse investimento dois anos depois. No caso da Saks, ainda não está claro se outros acionistas relevantes, como a Salesforce, que também entrou como sócia minoritária na compra da Neiman Marcus, pretendem contestar o plano de recuperação judicial.
Procurada pela CNBC, a Amazon informou que não comentará além do que já consta nos autos. A Saks também não respondeu aos pedidos de posicionamento.