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Renda de imóveis entregou metade do CDI e perdeu até para a poupança

Alta nos aluguéis superou a inflação em 2025, mas retorno para quem recebe o valor da locação ficou abaixo até das aplicações financeiras mais conservadoras

O detalhamento de todas as regras do Imposto de Renda 2026 não foi divulgado até o momento, mas algumas instruções já são esperadas, assim como ocorreu nos anos anteriores. (Montagem EXAME/Canva)

O detalhamento de todas as regras do Imposto de Renda 2026 não foi divulgado até o momento, mas algumas instruções já são esperadas, assim como ocorreu nos anos anteriores. (Montagem EXAME/Canva)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 14h09.

Alugar um imóvel deu retorno positivo em 2025, mas como investimento foi bem modesto. A rentabilidade bruta média da locação residencial fechou o ano em 5,96%, segundo o FipeZAP.

A rentabilidade do aluguel, ou rental yield, é calculada por meio da razão entre o preço de locação mensal e o preço de venda mensal. A taxa anualizada pode ser obtida multiplicando-se o resultado por 12.

O rendimento superou a inflação de 4,26%, mas ficou abaixo de alternativas mais conservadoras: o CDI entregou 13,91%, e até a poupança teve valorização de 8,19%, segundo a Elos Ayta.

A comparação se torna ainda mais desfavorável frente ao mercado de ações: o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, valorizou 33,99% no ano.

Do ponto de vista do inquilino, 2025 foi um ano de pressão: os aluguéis subiram em média 9,44%, mantendo a sequência de reajustes reais no setor.

Imóveis e cidades que lideram a rentabilidade

Imóveis de um dormitório apresentaram os melhores resultados, com rendimento bruto anual de 6,68%, segundo o FipeZAP. Já as unidades maiores, com quatro ou mais quartos, renderam 4,90%.

Em termos geográficos, Belém (8,63%), Recife (8,37%) e Cuiabá (8,10%) registraram os maiores yields do país.

Na outra ponta, Vitória (4,32%), Curitiba (4,55%) e Fortaleza (4,63%) ficaram bem abaixo da média nacional.

Mesmo nos mercados mais aquecidos, o desempenho não foi suficiente para superar os retornos de aplicações atreladas ao CDI.

Ainda vale a pena investir em imóveis?

No curto prazo, investir em imóveis para renda tende a ter retorno mais baixo quando comparado a alternativas financeiras, especialmente em cenários de juros altos.

"O yield da locação considera também vacância, impostos e custos. Com a valorização do imóvel, o rendimento percentual pode ficar ainda mais comprimido. Ou seja: o lucro mensal é limitado e pode levar anos para superar os custos de aquisição, manutenção e tributos", segundo Peixoto Accyoli, CEO da RE/MAX Brasil.

No longo prazo, a lógica muda. Imóveis têm potencial de valorização patrimonial, preservam valor real diante da inflação e funcionam como reserva física de riqueza. Além disso, contratos de aluguel tendem a ser corrigidos por índices inflacionários, e a valorização do bairro ou da cidade pode aumentar o valor do ativo com o tempo.

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