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Shopping, escritório ou galpão: como investir em FIIs em 2026, segundo o BTG

Relatório do BTG Pactual mostra contexto macroeconômico mais favorável, mas investidores precisam ter alocação mais crítica; entenda

Shopping Center: O segmento continua sendo um dos setores queridinhos. Em 2025, ele liderou as performances com uma alta de 29,1% (Roberto Parizotti/Fotos Públicas)

Shopping Center: O segmento continua sendo um dos setores queridinhos. Em 2025, ele liderou as performances com uma alta de 29,1% (Roberto Parizotti/Fotos Públicas)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 16h04.

Última atualização em 15 de janeiro de 2026 às 16h08.

Após um 2025 de forte desempenho, o mercado de Fundos Imobiliários (FIIs) inicia 2026 com combinação de otimismo e maior seletividade. O ano passado foi marcado por recordes: o índice Ifix, da B3, atingiu máximas históricas e os FIIs movimentaram R$ 3 bilhões. Para este ano, mesmo com um cenário macroeconômico mais favorável — que inclui a perspectiva de queda de juros —, o ambiente ainda exige cautela, segundo relatório do BTG Pactual assinado por Daniel Marinelli e Matheus Oliveira.

A tendência de queda da taxa básica de juros Selic deve guiar o ano. O ciclo de cortes deve diminuir a volatilidade e favorecer ativos com maior risco, segundo o banco de investimentos. Os investidores não podem esquecer, porém, que o mercado deve estar mais nervoso em 2026 por ser um ano eleitoral.

“Dado que será um ano eleitoral que tende a aumentar a volatilidade, avaliamos que a alocação em 2026 deva ser mais criteriosa, privilegiando fundos maiores, com boa estrutura de capital e com ativos de qualidade”, informa o banco. “Para 2026, nossa visão parte de um cenário macroeconômico mais construtivo.”

Por isso, a recomendação dos analistas é aumentar a exposição aos fundos de tijolo de forma gradual, aproveitando janelas de oportunidade,  sem movimentos bruscos. O foco deve estar na qualidade: fundos maiores, com ativos bem localizados e fluxo de caixa previsível, aproveitando alguns descontos.

“Entendemos que os fundos de tijolo já realizaram um ajuste relevante (em especial àqueles com maior patrimônio e liquidez), porém, analisando setorialmente, diversos segmentos ainda negociam com desconto em relação ao valor patrimonial e devem continuar se apreciando ao longo do ciclo”, explicam.

A ideia de evitar movimentos muito intensos é também por se tratar de um ano eleitoras. "Podem surgir janelas de oportunidade para a entrada a preços mais atrativos. A alocação será feita de forma progressiva, com foco na qualidade dos ativos, localização consolidada e previsibilidade do fluxo de caixa”, afirma o BTG Pactual.

O brilho dos shoppings e o desconto dos escritórios

O segmento de shopping centers continua sendo um dos setores preferidos. Em 2025, ele liderou as performances com uma alta de 29,1%. Mesmo assim, o BTG aponta que ainda há espaço para crescer, já que esses fundos negociam, em média, com um preço sobre valor patrimonial de 0,88x, ou seja, com 12% de desconto. 

Um ponto curioso que pode dar um empurrão extra no consumo é a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o que beneficia diretamente as classes B e C, público fiel de muitos shoppings do setor. Operacionalmente, os últimos dados de 2025, referentes ao terceiro trimestre, mostram um cenário sólido, com crescimento de vendas de 7,2% e vacância em 5,2%.

Já as lajes corporativas estão mais defasadas em termos de preço, na opinião dos analistas. Os escritórios ainda não acompanharam a melhora operacional que já bateu à porta. Ao mesmo tempo, o nível elevado dos juros favorece os fundos de papel, que devem seguir entregando um carrego elevado, especialmente aqueles com exposição à inflação.

Os analistas acreditam, ainda, que há um potencial de valorização reprimido, especialmente em regiões nobres de São Paulo, como Faria Lima, Pinheiros e Vila Olímpia. Neste cenário, “as lajes corporativas seguem como um dos segmentos mais defasados do mercado em termos de valuation”, na explicação do BTG. 

No setor de logística, a situação é um pouco diferente na visão do banco. A demanda por galpões de alta qualidade continua firme, mas os preços das cotas já estão mais esticados, negociando a 0,92x do valor patrimonial. Isso significa que o investidor precisa ser ainda mais criterioso na escolha.

“Nos galpões logísticos, a demanda permanece sólida e o crescimento dos aluguéis deve continuar, refletindo a escassez relativa de ativos de alta qualidade. No entanto, o segmento já negocia mais próximo do valor patrimonial, o que limita o potencial de reprecificação e torna a seleção de ativos ainda mais relevante”, detalha o BTG.

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