(Ludovic Marin/AFP)
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 13h25.
O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, disse nesta sexta-feira, 9, que a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia é um passo importante, especialmente no contexto em que o multilateralismo é posto à prova em todo o mundo.
"Acho um passo importante dos pontos de vista econômico (diversificação) e geopolítico, no momento em que o mundo está crescentemente fragmentado e o multilateralismo está em crise", afirmou ao SBT News.
O embaixador ponderou, no entanto, que é cedo para saber quais serão os próximos passos e que ainda é preciso esperar para ver se o sinal verde dado nesta sexta vai se confirmar, o que pode acontecer no início da tarde.
Oficialmente, Palácio do Planalto e Ministério das Relações Exteriores ainda não se manifestam sobre o avanço e aguardam o fim do encontro que acontece nesta sexta-feira, 9, em Bruxelas, na Bélgica.
Nesta manhã, embaixadores dos estados-membros da União Europeia deram aprovação provisória para a assinatura do acordo comercial. Após décadas de negociação, este pode ser o maior pacto comercial da história do bloco europeu.
O prazo para que os votos sejam confirmados por escrito termina logo mais, às 13h (horário de Brasília). Em se confirmando a aprovação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o acordo com os parceiros do Mercosul.
O avanço do acordo encontra resistências que se explicam no protecionismo de países como França e Itália. Agricultores temem que haja concorrência desleal com produtos como carne bovina e açúcar produzidos por países do Mercosul.
Em dezembro, o presidente Lula (PT) deu uma espécie de ultimato e afirmou que deixaria de insistir no pacto caso o acordo não saísse.
No fim daquele mês, havia a expectativa da assinatura na Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Foz do Iguaçu, o que não aconteceu.
Quando soube dos entraves que dificultariam o avanço do acordo, em meados de dezembro, Lula afirmou, durante evento no Planalto: "Se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente".