Redação Exame
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 12h28.
O principal partido de esquerda da França, A França Insubmissa (LFI), anunciou nesta sexta-feira, 9, que apresentará uma moção de censura contra o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu.
Trata-se da segunda iniciativa do tipo enfrentada pelo chefe de governo, após a moção anunciada na noite anterior pelo ultradireitista Reagrupamento Nacional (RN). As moções de censura devem ser votadas nos próximos dias.
LFI e RN, que juntos representam pouco mais de um terço dos deputados da Assembleia Nacional, justificaram as propostas afirmando que o presidente francês, Emmanuel Macron, não fez o suficiente para impedir o avanço do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
“A França é humilhada em Bruxelas por um acordo com o Mercosul que Macron nunca bloqueou durante os oito anos em que está no poder. Sua gestão é tão desastrosa que ele foi incapaz de condenar a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela. Lecornu e Macron têm que sair”, declarou em uma mensagem na rede social X (ex-Twitter) a líder parlamentar do LFI, Mathilde Panot.
A expectativa é que a moção do RN tenha muito pouco apoio, devido ao veto da esquerda, mas a apresentada pelo LFI pode somar mais votos, uma vez que a extrema direita não tem tido, em outras ocasiões, receios em apoiar as moções dos progressistas.
A iniciativa do LFI pode até prosperar se os socialistas, que até hoje não apoiaram outras moções de censura contra o atual governo, e uma parte da direita clássica do Os Republicanos a apoiarem. Por enquanto, nenhum dos dois partidos deu indícios do que o fará.
Lecornu criticou “as posições cínicas e partidárias” de RN e LFI e lembrou que a França se oporá oficialmente à ratificação do tratado entre UE e Mercosul, uma posição que, no entanto, não impediria sua aprovação pelo bloco europeu, pois não parece haver uma minoria de bloqueio.
O chefe do governo advertiu que essas moções só servem “para enfraquecer a voz da França” e para “atrasar” as discussões sobre o orçamento de 2026, ainda pendente de aprovação.
*Com informações da EFE