Ilusão de ótica IA (Fonte: Freepik)
Redatora
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 14h59.
Uma nova fronteira no uso da inteligência artificial está surpreendendo até os neurocientistas. Sistemas de IA estão sendo enganados por ilusões de ótica — exatamente como os humanos. A descoberta, feita por pesquisadores japoneses, não apenas desafia as ideias sobre a superioridade computacional da IA, mas também abre caminhos para entender melhor como funciona o nosso próprio cérebro.
Redes neurais profundas — como as que sustentam ferramentas como o ChatGPT — vêm sendo usadas para simular como nosso sistema visual processa o mundo real, inclusive quando ele “falha”. E ao aplicar ilusões visuais clássicas nesses sistemas, cientistas estão revelando os atalhos e previsões que nosso cérebro faz diariamente para interpretar o ambiente. As informações foram retiradas da BBC.
O experimento liderado por Eiji Watanabe, professor associado do Instituto Nacional de Biologia Básica do Japão, usou a rede neural PredNet, baseada em uma teoria chamada código preditivo. A hipótese por trás dessa teoria é que o cérebro não apenas processa o que vê, mas tenta prever o que verá, com base na experiência passada.
Ao treinar o PredNet com vídeos naturais e, depois, aplicar a ele a famosa ilusão das “cobras giratórias”, Watanabe descobriu que a IA também percebia movimento onde não havia, exatamente como os humanos. A IA foi “enganada” pelas mesmas imagens que confundem nossa visão, sugerindo que ela adota estratégias parecidas com as do cérebro humano para interpretar o mundo.
Outro experimento, conduzido por Ivan Maksymov, na Austrália, foi além: ele combinou IA com princípios da mecânica quântica para entender como percebemos figuras ambíguas, como o cubo de Necker ou o vaso de Rubin, que alternam entre duas interpretações visuais.
Utilizando tunelamento quântico em uma rede neural, Maksymov conseguiu simular as mudanças espontâneas de percepção que também ocorrem em cérebros humanos. A IA alternava entre as duas versões da imagem com intervalos de tempo parecidos com os observados em humanos.
Essa abordagem, ainda incipiente, levanta a possibilidade de que alguns aspectos da nossa cognição podem ser melhor representados por modelos quânticos, um campo emergente conhecido como cognição quântica.
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