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'Caro e poluente': essa gigante do petróleo rejeita voltar à Venezuela

CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné classificou a possibilidade de retorno ao país como “muito cara e muito poluente”

TotalEnergies: saúde financeira parece não ter sido afetada pela decisão. (TotalEnergies/Divulgação)

TotalEnergies: saúde financeira parece não ter sido afetada pela decisão. (TotalEnergies/Divulgação)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 11h14.

A gigante francesa de energia TotalEnergies manifestou formalmente seu desinteresse em retomar operações na Venezuela, uma das maiores reservas de petróleo do mundo, contrariando os apelos de investimentos advindos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O CEO da companhia, Patrick Pouyanné, disse à mídia que classificou a possibilidade de retorno ao país sul-americano como "muito cara e muito poluente", mantendo a posição que levou a empresa a abandonar o mercado venezuelano em 2022. "Entrava em conflito com a nossa estratégia", disse.

A declaração de Pouyanné, divulgada pela Reuters, ocorre em um momento de forte pressão da administração do presidente republicano, que tem requisitado às grandes petrolíferas, conhecidas como Big Oils, a investirem cerca de US$ 100 bilhões para reconstruir a indústria petrolífera da Venezuela.

O presidente americano chegou a afirmar que as empresas de energia tinham problemas na Venezuela no passado "porque não tinham Trump como presidente".

O governo dos EUA intensificou esses apelos após a operação militar que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro deste ano, prometendo, inclusive, assistência de segurança governamental para as empresas que aceitarem o desafio.

Conflito estratégico e preocupações ambientais

A TotalEnergies, que iniciou suas atividades na Venezuela na década de 1990, optou por sair totalmente de suas operações no país devido ao foco do local em petróleo bruto pesado, o que não se alinhava aos objetivos atuais da gigante francesa.

A resistência da TotalEnergies não é um caso isolado no setor. Outras empresas como a ExxonMobil também demonstram cautela. O CEO da Exxon, Darren Woods, chegou a classificar à CNBC o mercado venezuelano como "não investível" em seu estado atual.

Isso gerou reações adversas de Trump, que ameaçou deixar a companhia de lado em futuras negociações, ao considerar que a petroleira estaria sendo excessivamente cautelosa. Já Pouyanné reiterou que as condições que motivaram a saída permanecem as mesmas atualmente.

Desafios de infraestrutura e cenário econômico

Especialistas destacaram que há, ainda, uma complexidade técnica para eventual retorno ao país latino-americano. O analista de mercados globais de petróleo bruto do Barclays, Amar Singh, afirmou ao programa Squawk Box Europe que existem severas restrições de infraestrutura na Venezuela.

Singh destacou que, antes de qualquer investimento, é necessário observar a transição do país para um sistema democrático, alertando que o processo será longo e que, mesmo em um cenário otimista, o crescimento da produção seria limitado no curto prazo, conforme falas divulgadas pela CNBC.

"Na nossa opinião, mesmo que tudo corra bem, no cenário mais otimista, vemos apenas um crescimento da produção venezuelana de 200 mil a 300 mil barris por dia até o final deste ano."Amar Singh, analista de mercados globais de petróleo bruto do Barclays

Apesar de ignorar as convocações de Washington, a saúde financeira da TotalEnergies parece não ter sido afetada pela decisão. Na manhã desta quarta-feira, 11, as ações da companhia listadas em Paris atingiram uma nova máxima em 52 semanas, subindo quase 2% durante o pregão.

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