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Regulação virou vantagem competitiva no mercado cripto

A profissionalização do setor redefine vencedores: cresce quem consegue transformar exigências legais em infraestrutura, confiança e escala

Martelo de juiz e representações de criptomoedas (Kanchanara/Unsplash)

Martelo de juiz e representações de criptomoedas (Kanchanara/Unsplash)

Da Redação
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Publicado em 9 de maio de 2026 às 10h00.

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Por Nicole Dyskant*

O mercado de ativos digitais deixou de ser um experimento. Em 2025, a capitalização global do setor chegou a cerca de US$3,8 trilhões, impulsionada pela entrada institucional e pela consolidação de modelos mais estruturados. O que muda agora não é o tamanho do mercado, mas quem captura valor dentro dele.

A virada está acontecendo na regulação. Na Europa, o regulamento Markets in Crypto-Assets (MiCA) criou o primeiro arcabouço completo para criptoativos, com exigência de licenças, regras de governança, transparência e proteção ao investidor.

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Até abril de 2026, mais de 185 operadores já haviam obtido licença para atuar no bloco, enquanto outros foram obrigados a sair ou redesenhar suas operações. A partir de julho de 2026, quem não estiver enquadrado simplesmente não poderá operar.

Esse movimento não é isolado, se repete em diferentes jurisdições, com uma lógica comum de reduzir o espaço para estruturas informais e consolidar um mercado institucional.

Oportunidade na adaptação

O efeito disso ainda é muito subestimado. Regulação custa caro, exige capital, estrutura jurídica, compliance, tecnologia e governança. Para muitos negócios de ativos digitais, especialmente aqueles construídos nos ciclos anteriores de crescimento rápido, isso significa compressão de margem e, em alguns casos, inviabiliza o modelo completamente.

Só que esse mesmo custo abre uma nova camada de valor: enquanto parte do mercado perde eficiência tentando se adaptar, outro grupo passa a capturar valor ao oferecer a infraestrutura que viabiliza essa adaptação. Custódia, compliance, monitoramento, identidade, reporting, governança é o novo core.

Não é coincidência que investidores estejam migrando para empresas que conectam tecnologia com estrutura regulatória. Em 2026, a clareza regulatória virou um dos principais critérios para alocação de capital em tecnologia e cripto. O mercado não está encolhendo, está sendo redistribuído.

A regulação também muda a dinâmica competitiva. Bancos e instituições tradicionais, que já operam sob estruturas regulatórias complexas, entram com vantagem inicial, e isso já aparece na Europa, onde grande parte dos players autorizados sob o MiCA tem origem no sistema financeiro tradicional.

O espaço para inovação não desaparece com isso, mas muda de lugar. A nova fronteira está na construção de infraestrutura que já nasce compatível com esse ambiente, sem a lógica de crescer primeiro e ajustar depois.

Regras claras

Foi essa leitura que me levou a sair de posições estáveis como advisor de grandes players globais para empreender novamente. O mercado está ficando mais complexo, mas também mais previsível, e a previsibilidade em finanças é o que destrava a escala.

A regulação drena recursos de parte do ecossistema, mas também elimina assimetrias, reduz risco sistêmico e cria as condições para que o capital institucional entre de forma consistente. O resultado tende a ser um mercado menor em número de players, mas muito mais profundo, onde o valor não está mais na narrativa, e sim na capacidade de operar dentro das regras.

*Nicole Dyskant é CEO da RegDoor.

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