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Redação Exame
Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 10h00.
O mercado imobiliário brasileiro está vivenciando uma transformação significativa. Depois de anos de discussões teóricas e projetos piloto, o Brasil está finalmente criando as condições para que a tokenização imobiliária ganhe escala a partir de 2026.
Vemos uma evolução consistente em duas frentes: a regulatória e a de mercado. No campo jurídico, regulamentações recentes do COFECI e dos CRECIs começam a reconhecer a comercialização de propriedades digitais por corretores de imóveis. Esse avanço aproxima o país de um entendimento mais alinhado ao que já acontece no mercado global, onde os tokens imobiliários são classificados como real world assets e, portanto, tratados como imóveis e não como valores mobiliários sob regulação direta da CVM.
Essa distinção é fundamental. Ao reconhecer tokens imobiliários como ativos reais e não como produtos financeiros tradicionais, o Brasil remove uma camada de complexidade regulatória que até então dificultava a expansão do setor. Corretores de imóveis, profissionais que conhecem profundamente o mercado, passam a ter legitimidade para atuar nesse novo cenário digital.
Paralelamente, a evolução do Drex tem ampliado as discussões sobre infraestrutura financeira digital. Quando esse ecossistema estiver maduro, ele permitirá um ambiente seguro, compatível com a legislação e integrado ao sistema bancário brasileiro, destravando operações de tokenização de forma mais fluida.
O Drex não é apenas uma moeda digital. Ele representa a construção de uma infraestrutura completa que conecta instituições financeiras, registros de propriedade e transações em blockchain de maneira regulamentada. Essa base tecnológica é essencial para que a tokenização imobiliária deixe de ser uma promessa e se torne uma realidade operacional em larga escala.
No setor privado, começam a surgir soluções que tornam esse processo mais acessível, como marketplaces especializados e plataformas de tokenização as a service. Para incorporadoras, isso representa acesso facilitado à tecnologia; para o consumidor final, torna a experiência cada vez mais intuitiva e didática. Não é mais necessário que uma incorporadora desenvolva toda a infraestrutura tecnológica internamente.
Plataformas especializadas oferecem soluções completas, desde a criação dos tokens até a gestão dos investidores, reduzindo significativamente a barreira de entrada. Do lado do comprador, interfaces amigáveis e processos simplificados eliminam o medo da complexidade tecnológica. Por isso, acredito que 2026 será o ano em que veremos um aumento perceptível no volume de operações tokenizadas no Brasil.
O público começará a experimentar a transferência de imóveis de maneira simples, rápida e transparente, quase tão natural quanto fazer um Pix. A convergência entre regulação clara, infraestrutura robusta e soluções tecnológicas acessíveis cria as condições ideais para um salto quantitativo.
Proprietários poderão vender frações de imóveis em minutos, investidores terão acesso a oportunidades antes restritas a grandes capitais, e incorporadoras conseguirão captar recursos de forma mais ágil e diversificada. À medida que 2026 se aproxima, devemos observar alguns movimentos importantes:
Para finalizar, a tokenização imobiliária no Brasil não é mais uma questão de "se", mas de "quando". E tudo indica que em 2026 continuará consolidando o setor imobiliário nacional. Com regulação evoluindo, infraestrutura se consolidando e tecnologia se democratizando, estamos às vésperas de uma transformação que tornará o mercado imobiliário mais acessível, líquido e eficiente. Para investidores, incorporadoras e profissionais do setor, este é o momento de se preparar. O futuro digital do mercado imobiliário não está distante, ele está batendo à porta.
*Evandro Rodrigues é CEO da BE, A Moradia do Futuro.
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