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Por que o TradFi acelerou a adoção de stablecoins em 2025?

Em 2025, stablecoins deixam a narrativa cripto, ganham tração institucional e se consolidam como infraestrutura para pagamentos, tesouraria e liquidações globais

Criptomoedas (Reprodução/Reprodução)

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Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 28 de dezembro de 2025 às 11h00.

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Por João Borges*

Em 2025, na comparação com 2024, as stablecoins deixaram de ser tratadas como um fenômeno periférico do mercado cripto e passaram a ocupar um espaço mais pragmático no radar do setor financeiro tradicional.

A mudança de patamar no último ano tem menos a ver com narrativa e mais com uma conclusão operacional: em um mundo onde empresas operam globalmente e clientes esperam disponibilidade contínua, o dinheiro ainda se move com fricções de outra era - janelas de liquidação, custos acumulados em camadas intermediárias, conciliações demoradas e assimetrias entre sistemas nacionais.

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É aqui que stablecoins, criptomoedas pareadas em algum ativo estável como o dólar norte-americano, ganham espaço. Elas funcionam como um padrão digital de liquidação que pode rodar 24/7 e se integrar com facilidade a produtos modernos. A melhor analogia é a internet: quando protocolos universais se tornaram comuns, a inovação saiu da infraestrutura e foi para a borda - para os produtos.

Da mesma forma, stablecoins podem ser entendidas como uma “API financeira global”, sobre a qual instituições e empresas constroem experiências melhores, com menos dependência de integrações fragmentadas e mais previsibilidade na movimentação de valor. Essa leitura, inclusive, já está no centro da forma como o mercado vem reposicionando o tema: stablecoins como camada de produto e não apenas como ativo.

Na prática, o que virou a chave em 2025 - olhando para o degrau recente em relação a 2024 - foi a transição do debate “por que isso existe?” para “onde isso resolve um problema real?”. Em pagamentos internacionais, por exemplo, o setor tradicional sempre lidou com um trade-off incômodo entre custo, velocidade e rastreabilidade.

Stablecoins entram como uma alternativa que, em determinados fluxos, reduz o atrito operacional: encurta prazos, simplifica a jornada de ponta a ponta e melhora a previsibilidade - especialmente quando o objetivo é liquidação e repasse, e não especulação.

O segundo vetor é tesouraria e capital de giro. Em cadeias globais, a diferença entre liquidar hoje ou em “T+2/T+3” não é um detalhe: é custo financeiro, é risco, é ineficiência. Ao longo de 2025, vimos o aumento do apetite por soluções que encostam a tesouraria no tempo real, com o dinheiro se movendo no ritmo do software.

Isso não significa substituir bancos ou sistemas existentes, mas adicionar um trilho complementar que aumenta eficiência onde os gargalos são mais evidentes.

O terceiro vetor é geográfico - e a América Latina é um exemplo didático. Em 2025, ficou ainda mais claro, na comparação com o ano anterior, como regiões com alta demanda por eficiência, acesso e previsibilidade tendem a acelerar a adoção quando a tecnologia resolve dores concretas.

Quando você olha para empresas locais que precisam operar globalmente, ou para usuários que querem acessar dólares digitais com fluidez, o tema deixa de ser “cripto” e passa a ser competitividade. Não por acaso, o impacto prático já é descrito como visível na região: redução de barreiras, simplificação de operações transfronteiriças e criação de novos produtos por bancos e fintechs.

Claro que adoção institucional não acontece sem “camadas de confiança”. E esse é outro avanço importante que ganhou força em 2025: a infraestrutura ao redor das stablecoins amadureceu. O Banco Central do Brasil estabeleceu um marco regulatório que trará segurança e conformidade para as transações com ativos digitais.

A norma cria regras para as prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs), também chamadas VASPs (sigla em inglês para Virtual Asset Service Provider). Além disso, custódia institucional, compliance, monitoramento de risco e integrações com sistemas tradicionais evoluíram.

Isso é o que permite que o tema saia do laboratório e vá para o core de produto com governança, auditoria e controles. O setor tradicional não compra promessas; compra previsibilidade operacional.

O que estamos vendo, em resumo, é um movimento parecido com o que ocorreu na tecnologia com a nuvem: no começo, desconfiança; depois, experimentos; em seguida, padronização; por fim, estabilidade.

Stablecoins estão seguindo uma curva semelhante, com uma diferença relevante: o “produto” aqui é o próprio dinheiro, e isso acelera tanto as oportunidades quanto às responsabilidades. Ao enxergá-las como infraestrutura, o mercado redefine a pergunta: não é se stablecoins “vão existir”, mas como elas vão estar embutidas em contas, pagamentos, liquidações e produtos B2B sem que o usuário final sequer precise saber o nome da tecnologia.

A mensagem principal é direta: em 2025, na comparação com 2024, a adoção de stablecoins pelo setor financeiro tradicional acelerou por um motivo simples - elas atacam fricções estruturais da movimentação global de valor.

Só entre janeiro e julho, o volume on-chain de transações com stablecoins globalmente superou US$ 4 trilhões, marcando o maior volume anual registrado até então. E, como toda infraestrutura que vira padrão, elas tendem a desaparecer do discurso e aparecer no cotidiano. O futuro do dinheiro, cada vez mais, será a consolidação de camadas e stablecoins já começaram a se firmar como uma delas.

*João Borges é cofundador e CRO da BlindPay, API de stablecoins apoiada por Y Combinator, Jawed Karim, Bitso e 468 Capital.

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