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O dinheiro está ficando global e invisível

Stablecoins, Pix e novas infraestruturas apontam para um futuro em que usar dinheiro no mundo todo será simples — e quase imperceptível

 (Getty Images/Reprodução)

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Da Redação
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Publicado em 25 de dezembro de 2025 às 10h00.

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Por Alejo Blasco*

Durante décadas, falar de dinheiro internacional era falar de fricção. Taxas de câmbio, horários bancários, intermediários, prazos imprevisíveis e uma sensação constante de que mover valor entre países era algo reservado a grandes empresas ou a quem tivesse tempo e paciência. Em 2025, essa lógica começa a ruir silenciosamente.

O que está emergindo não é apenas um sistema financeiro mais rápido, mas um dinheiro mais “invisível”. Um dinheiro que funciona sem que o usuário precise pensar em moedas, fronteiras ou infraestrutura. A experiência se torna simples; a complexidade fica escondida no back-end.

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Parte importante dessa transformação vem de uma mudança estrutural: as stablecoins. Criptomoedas atreladas a moedas fiduciárias, como o dólar, elas deixaram de ser apenas um instrumento do mercado cripto para se tornar uma espécie de linguagem comum do dinheiro digital. Funcionam 24 horas por dia, liquidam em minutos (ou segundos) e conectam sistemas que antes não conversavam entre si.

Não é exagero dizer que, hoje, stablecoins cumprem um papel parecido com o que o protocolo TCP/IP teve para a internet: não são visíveis para o usuário final, mas viabilizam tudo o que acontece por cima.

O Brasil oferece um exemplo claro dessa nova lógica com o Pix. Em poucos anos, o sistema tornou-se o principal trilho de pagamentos do dia a dia, substituindo dinheiro físico, boletos e até cartões em muitas situações. O Pix mostrou que, quando a infraestrutura é bem desenhada, o comportamento muda rápido.

O passo seguinte é quando esse trilho local se conecta a uma camada global. Já existem experiências em que um usuário fora do Brasil consegue pagar um comércio brasileiro via Pix usando saldo em moeda estrangeira ou dólar digital, sem abrir conta local nem passar por processos bancários tradicionais. Algumas plataformas exploram justamente essa interseção: o usuário vê um pagamento local, enquanto por trás há uma infraestrutura global baseada em cripto fazendo a conversão de valor em tempo real.

Esse é um ponto central da transformação em curso: a “tradução” de valor acontece nos bastidores. Stablecoins operam como ponte entre moedas, enquanto sistemas locais, como Pix, QR Codes, cartões ou transferências, garantem que o dinheiro chegue no formato esperado. O usuário não precisa saber como isso acontece. Ele só percebe que funciona.

Esse modelo inverte uma lógica antiga do sistema financeiro. Antes, a complexidade ficava na ponta: o usuário precisava entender câmbio, tarifas, prazos e regras. Agora, a complexidade migra para a infraestrutura, enquanto a interface se torna intuitiva. Usar dinheiro começa a se parecer com usar um aplicativo de mensagem.

Esse movimento também ajuda a explicar por que a discussão sobre o “futuro do dinheiro” está cada vez menos centrada em termos técnicos como "blockchain" ou "stablecoins", e mais em experiências concretas. As pessoas não querem saber qual tecnologia está por trás; querem saber se conseguem pagar, receber, guardar ou investir sem fricção.

Olhando para frente, 2026 tende a marcar a consolidação dessa lógica. Bancos centrais avançam em projetos de moedas digitais, como o Drex no Brasil, enquanto o mercado privado segue inovando com stablecoins e infraestrutura global. A disputa não será entre “cripto” e “sistema tradicional”, mas entre experiências ruins e experiências simples.

No fim das contas, o dinheiro do futuro não será aquele que chama atenção, mas o que desaparece. O que atravessa fronteiras sem alarde, respeita contextos locais e funciona sempre. Quando mover valor globalmente for tão natural quanto enviar uma mensagem no WhatsApp, saberemos que essa transição se completou.

*Alejo Blasco é Head de Marketing na Lemon.

 

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