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(Bruno Faiotto/Exame)
Redação Exame
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 17h00.
Depois de um 2025 em que o bitcoin teve desempenho inferior ao do ouro e das ações de tecnologia dos Estados Unidos, Arthur Hayes, investidor e fundador da BitMEX, afirma que o mercado interpretou o movimento de forma equivocada. Para ele, a principal variável não foi narrativa ou adoção, mas liquidez em dólares.
Em texto publicado em 14 de janeiro, Hayes argumenta que a fraqueza do bitcoin no ano passado foi consequência direta de um ambiente de contração monetária. Na sua leitura, o bitcoin é um ativo altamente sensível ao “pulso” da liquidez do dólar. Quando há expansão de crédito e dinheiro circulando com mais facilidade, cresce o apetite por risco e ativos como o bitcoin tendem a se valorizar. Quando ocorre o oposto, o preço cai. Em 2025, segundo ele, a liquidez em dólares caiu, e o bitcoin apenas acompanhou esse movimento.
Hayes compara bitcoin, ouro e Nasdaq 100 com um indicador próprio de liquidez do dólar. Para ele, o ponto menos intuitivo não foi a queda do bitcoin, mas o fato de ouro e ações de big tech terem subido apesar do aperto monetário. A explicação estaria no motor específico que impulsionou cada mercado.
No caso do ouro, Hayes afirma que o principal comprador não foi o varejo, mas bancos centrais e governos, que buscam reduzir risco político e não maximizar retorno de curto prazo. Ele cita como marcos a crise de 2008 e, principalmente, 2022, quando os Estados Unidos congelaram reservas ligadas à Rússia, reforçando a percepção de que títulos do Tesouro podem carregar risco de expropriação. Esse ambiente teria acelerado a migração institucional para o metal.
Já as ações de tecnologia, segundo Hayes, passaram a operar sob outra lógica. A corrida por inteligência artificial ganhou caráter estratégico tanto nos Estados Unidos quanto na China, o que teria garantido proteção política e acesso privilegiado a capital. Isso ajudaria a explicar por que o Nasdaq 100 conseguiu se descolar do aperto de liquidez que pesou sobre o bitcoin em 2025.
Para 2026, Hayes vê um possível ponto de virada. Ele aponta três vetores para uma nova expansão da liquidez em dólares: crescimento do balanço do Fed por meio de compras de ativos, aumento do crédito bancário para setores considerados estratégicos e estímulos ao mercado imobiliário para reduzir taxas hipotecárias. No texto, ele afirma que o encerramento do aperto quantitativo e novos programas de compra podem adicionar dezenas de bilhões de dólares por mês ao sistema, enquanto bancos ampliariam o crédito e entidades como Fannie Mae e Freddie Mac direcionariam recursos para o mercado de hipotecas.
Se esse cenário se confirmar, a consequência, segundo Hayes, é direta. Com mais dólares circulando, o bitcoin tende a reagir com força. Ele defende que o desempenho de 2025 não invalida a tese do bitcoin, mas reflete a ausência de combustível monetário. Por isso, diz buscar maior exposição ao ativo, inclusive por meio de empresas que carregam bitcoin no balanço, como Strategy e Metaplanet, que poderiam amplificar os movimentos do preço caso o mercado volte a ganhar tração.
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