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JPMorgan: narrativa do bitcoin como ‘ouro digital’ é ameaçada por quedas recentes

Banco avalia que recentes perdas da criptomoeda reforçaram correlação com ações de tecnologia e foram opostas ao esperado de uma reserva de valor

João Pedro Malar
João Pedro Malar

Editor do Future of Money

Publicado em 3 de abril de 2025 às 12h09.

Última atualização em 3 de abril de 2025 às 12h20.

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O JPMorgan divulgou um relatório na última quarta-feita, 3, em que afirma que a tese de que o bitcoin é um "ouro digital" se enfraqueceu após as quedas recentes da criptomoeda. Analistas do banco ressaltam que o ativo aumentou a correlação com ações de tecnologia, contrariando o esperado.

No relatório, os analistas afirmam que "a volatilidade do bitcoin e a correlação com ações retoma questões sobre a sua narrativa de ser um 'ouro digital'. Pensando no futuro, nós devemos continuar vendo o ouro ganhando espaço como o maior beneficiário da busca por segurança".

Segundo o JPMorgan, o ouro está sendo o ativo mais procurado por investidores que estão em busca de uma proteção de patrimônio contra uma possível inflação crescente devido às medidas do presidente Donald Trump, em especial a imposição de tarifas contra parceiros comerciais.

A avaliação do banco é que os investidores estão cada vez mais favorecendo o ouro como esse ativo de proteção, e não o bitcoin. Como resultado, a criptomoeda intensificou a correlação com ações de tecnologia e manteve a sua alta volatilidade histórica.

Para o JPMorgan, características de risco e volatilidade que o mercado sempre associou à criptomoeda ainda dificultam a sua adoção como ativo de proteção. Ao mesmo tempo, enquanto essa visão não mudar entre investidores, o uso do ativo como um "ouro digital" tende a ser limitado.

O relatório corrobora a análise com dados sobre os fluxos de investidores nos ETFs de bitcoin e ouro. O banco aponta que houve um reposicionamento dos investidores, que retiraram aportes nos fundos da criptomoeda. Ao mesmo tempo, os ETFs de ouro voltaram a atrair capital em fevereiro e março.

Outros dados, como a negociação de contratos de preços futuros, também mostram que investidores têm preferido o ouro à criptomoeda. A avaliação do JPMorgan é que a demanda está sendo liderada por investidores privados e bancos centrais, e não por investidores especulativos.

Os analistas consideram ainda que o patamar atual de preço do bitcoin pode servir como um nível de resistência que dificultaria novas perdas da criptomoeda, mas não descarta que o ativo caia para patamares ainda mais baixos, entre US$ 62 mil e US$ 71 mil, dependendo do cenário macroeconômico.

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