(Reprodução/Reprodução)
Editor do Future of Money
Publicado em 30 de junho de 2026 às 17h38.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou duas ordens executivas para impulsionar a transição do governo para a criptografia pós-quântica até 2031. O tema é bastante caro ao setor de criptoativos, pois o avanço da computação quântica e uma possível quebra dos blockchains com essa tecnologia é o maior risco existencial ao Bitcoin.
Nas ordens executivas 14.412 e 14.413, Trump estabeleceu prazos para que os sistemas federais considerados críticos adotem padrões de criptografia pós-quântica, obrigou que fornecedores do governo passem a oferecer produtos compatíveis com os novos padrões criptográficos e trouxe orientações para que operadores de infraestrutura crítica, como bancos, elaborem planos de transição para tecnologia pós-quântica.
Em entrevista à EXAME, Marco Zanini, CEO da empresa de cibersegurança Dinamo, afirma que a sinalização do presidente da maior economia do mundo à importância do tema reforça o quanto é crítico desenvolver uma criptografia que resista a ataques quânticos.
“Os EUA são a maior potência do mundo, então quando mandam uma mensagem como essa mostram que já existe esse movimento e é uma preocupação real. É uma posição muito relevante e que é muito mais pesada do que qualquer pesquisa no meio acadêmico”, avalia Zanini.
Hoje, o blockchain do Bitcoin e das principais criptomoedas não pode ser quebrado por computadores normais, mas especialistas dizem que a computação quântica seria capaz de calcular a chave privada de uma carteira a partir da chave pública. Com isso, o cibercriminoso teria acesso a todos os ativos do dono daquela wallet.
O ponto mais crítico sobre isso é que a cada ano os avanços da computação aproximam a humanidade mais da criação de um computador quântico produzido em massa. “A expectativa do mercado é que entre 2029 e 2030 já existam máquinas quânticas comerciais”, afirma Zanini.
Segundo o executivo, os blockchains precisam de um redesenho em suas soluções de criptografia de dados para funcionarem com criptografia pós-quântica. “Além do algoritmo quântico precisa de uma estrutura de computadores quânticos rodando isso, mas o ataque costuma vir antes da solução. Quem se preparar primeiro vence”, argumenta.
Maior rede para programação de contratos inteligentes do mundo, o Ethereum já divulgou um roteiro de atualização do seu blockchain com testes de algoritmos resistentes à tecnologia quântica. Enquanto isso, propostas como a BIP-361, que procura tornar a rede do Bitcoin resistente à ataques quânticos, dependem do avanço do consenso na comunidade.
Zanini afirma que todos estão fazendo manifestos de estudos com soluções arquitetadas, mas a preocupação não é só na mudança da arquitetura, como também na chave guardada. “Ela está criptografada hoje com algoritmo não quântico e o problema está muito mais capilarizado do que parece”, aponta. “Quando uma plataforma falar que agora está com criptografia pós-quântica, só as chaves posteriores estarão seguras.”
O executivo considera que o trabalho de desenvolvedores e criptógrafos deve se intensificar nos próximos anos. Afinal, a resistência a computadores quânticos será um diferencial competitivo crucial para quem quiser participar do trilho financeiro do futuro.
Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | X | YouTube | Tik Tok