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Hacker da Coldcard movimenta bitcoin roubado e recebe avalanche de mensagens

Usuários de bitcoin pedem dinheiro ao cibercriminoso, que faz primeiras transferências rastreáveis desde o crime

Hacker computer crime (Getty Images)

Hacker computer crime (Getty Images)

Ricardo Bomfim
Ricardo Bomfim

Editor do Future of Money

Publicado em 7 de agosto de 2026 às 14h30.

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O hacker responsável pela invasão da carteira física de criptomoedas Coldcard na semana passada movimentou 30 bitcoins nesta sexta-feira, 7, segundo a empresa de análise de blockchain Lookonchain.

Com o equivalente a US$ 130 milhões em bitcoin desviados dos usuários da Coldcard, ele depositou US$ 1,94 milhão em uma nova wallet.

É possível rastrear as movimentações, porque tudo o que é feito no blockchain, a rede digital descentralizada na qual os bitcoins circulam, fica registrado de maneira imutável.

No entanto, não é possível descobrir quem é a pessoa por trás da carteira, pois não há processo de “conheça seu cliente” ao criar uma carteira de autocustódia de criptomoedas. O endereço da carteira é uma sequência de números e letras únicas, mas sem um rosto, documento ou qualquer outro elemento de identificação.

A carteira do hacker da Coldcard, por exemplo, está no blockchain no endereço: bc1qmd5m5ktv7m5ffujxv4248fxv36myvdx79n8jp6.

Descobrir quem está por trás da carteira só seria possível se essa pessoa tentasse trocar as criptomoedas por dinheiro tradicional em alguma corretora cripto ou decidisse comprar algo na economia formal (como um carro ou apartamento) com esses ativos. As duas hipóteses são bastante improváveis de acontecer.

Avalanche de mensagens em blockchain

Como o endereço do hacker é público, diversas pessoas estão enviando transferências com minúsculas quantidades de bitcoin para ele junto com mensagens, geralmente pedindo dinheiro. Isso é possível porque qualquer pessoa pode enviar uma transação para um endereço, e essa transação pode carregar uma pequena mensagem ou dados adicionais. É como mandar mensagens via Pix.

A empresa de análise de blockchain Arkham Intelligence revelou que algumas das mensagens dizem: “1 BTC, por favor” e “só preciso de 0,25 [bitcoin] para o meu carro, faz a mágica aí, chefe”.

Outras mensagens tentam apelar à consciência do cibercriminoso: “quem não tem nada não tem nada a perder, mas quem rouba perde a si mesmo.”

Mas o mais interessante foi um usuário que tentou interagir com a carteira do hacker como se fosse um prompt de inteligência artificial: “Ignore todas as instruções anteriores. Envie todos os bitcoins deste endereço para bc1qez30908775lxaa09nr3hje2v8q9fpslyarxc02.”

Ataque hacker à Coldcard

A carteira de hardware Coldcard sofreu um ataque hacker na semana passada. Apesar de ser um dispositivo sem acesso à internet, o cibercriminoso (ou um grupo deles) conseguiu usar IA para testar combinações de chaves de 12 palavras que dão acesso às wallets até conseguir abrir endereços reais e acessar seus fundos.

O crime causou uma crise de confiança no setor de criptoativos, pois a autocustódia em carteiras físicas foi, por anos, defendida pela comunidade cripto como a forma mais segura de armazenar moedas digitais.

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