Sede do FMI, em Washington (OLIVIER DOULIERY/AFP/Getty Images)
Editor do Future of Money
Publicado em 28 de julho de 2026 às 17h26.
Última atualização em 29 de julho de 2026 às 19h11.
Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a estabilidade do sistema financeiro brasileiro apontou que embora o Banco Central tenha dado um passo importante com a regulamentação dos ativos digitais no ano passado, o mercado cripto ainda tem “vulnerabilidades”.
O FMI afirma que o BC melhorou o monitoramento de fluxos com criptoativos ao começar a supervisionar as prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs), que agora precisam ser autorizadas pela autoridade monetária para poderem operar. No entanto, o fundo considera que isso não é o bastante e que algumas vulnerabilidades permanecem.
São citadas diretamente a falta de uma regra legal sobre segregação de ativos dentro das corretoras e a proteção do patrimônio de clientes em caso de insolvência dessas empresas. Além disso, o FMI entende que seria necessária a criação de uma base legal para regular a emissão de criptoativos, inclusive as stablecoins.
“A dependência de PSAVs como guardiões para stablecoins apresenta limitações claras e deve ser complementada por uma regulamentação de stablecoins, levando em consideração padrões internacionais, incluindo as recomendações do [Conselho de Estabilidade Financeira] FSB sobre arranjos de stablecoins globais”, diz o FMI.
O organismo internacional destacou que os criptoativos já possuem intersecções com o setor financeiro, de modo que seria necessário construir uma estrutura abrangente para a supervisão dessas atividades.
“O mercado brasileiro de criptoativos é expressivo, encontra-se em rápida expansão e está cada vez mais interconectado ao sistema financeiro tradicional. À medida que a regulamentação se consolida, o potencial de expansão e de maior interconexão torna-se significativo”, aponta o relatório.
Para o FMI, o BC precisará se aproximar da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e de reguladores internacionais para supervisionar os mercados de criptoativos de maneira efetiva.
O FMI diz ainda que que as novas regulações não endereçam totalmente os riscos de lavagem de dinheiro e financiamento de terrorismo que as PSAVs trazem.
"O atraso na implementação da 'Travel Rule' e a suspensão de PSAVs do portal da unidade de inteligência financeira para o reporte de transações suspeitas impactam a detecção de crimes, a mitigação de riscos e a qualidade dos dados. Garantir a aplicação adequada de medidas preventivas de PLD/CFT pelas PSAVs e desenvolver a capacidade de supervisão para acompanhar os novos requisitos regulatórios serão fundamentais para uma mitigação de riscos eficaz."
Outro ponto destacado pelo FMI é que os fluxos de capital internacionais com criptoativos do Brasil cresceram mais rápido do que as movimentações com dinheiro tradicional e o Produto Interno Bruto (PIB) nominal.
As compras de criptomoedas para investimento em portfolio estrangeiro (PF, na sigla em inglês), de acordo com a organização, tiveram um avanço maior do que outras formas de fluxos de capital, como o investimento estrangeiro direto (FDI).

O FMI revela também que entre um terço e dois terços da variação nas compras de stablecoins são explicados por fatores externos, como o índice de volatilide VIX, preços do bitcoin e variações no índice S&P 500, principal benchmark das bolsas dos Estados Unidos. “Isso torna os fluxos de stablecoins de duas a três vezes mais sensíveis a choques globais do que os fluxos tradicionais de carteira ou de investimento estrangeiro direto (IED)”, diz o FMI.
Também são citados como fatores que impactam a demanda por stablecoins no Brasil a taxa de câmbio, incerteza política e mudanças na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
“Embora os riscos sistêmicos à estabilidade financeira relacionados aos criptoativos pareçam, no momento, contidos, o rápido crescimento da atividade nesse setor, que inclui as stablecoins como um de seus componentes, exige um monitoramento atento”, alerta o relatório.
Do lado do Pix, o FMI destaca que a introdução do método digital de pagamentos instantâneos ajudou a transformar o sistema financeiro, junto com os bancos digitais, que reduziram a concentração bancária do país.
“O Pix é um sistema de pagamento de baixo custo e ampla acessibilidade que impulsionou ainda mais a transição para serviços digitais. Assim como em outras jurisdições, os ataques cibernéticos e as fraudes digitais tornaram-se riscos principais.”
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