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Bitcoin cai 3% após IPO histórico na China derrubar mercado global de IA

Maior das criptomoedas entra em patamar crítico nos US$ 63 mil antes de decisão de juros do Fomc nos EUA

Representação do bitcoin (crédito: Jonathan Borba/Unsplash)

Representação do bitcoin (crédito: Jonathan Borba/Unsplash)

Ricardo Bomfim
Ricardo Bomfim

Editor do Future of Money

Publicado em 28 de julho de 2026 às 11h09.

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O bitcoin opera em queda nesta terça-feira, 28, pressionado pela aversão a risco após a Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) da fabricante de chips CXMT, na China, gerar temores concorrenciais no mundo todo. O índice Kospi, principal referência da bolsa de valores da Coreia do Sul, desabou 10,8%.

Quem puxou o desempenho negativo foram as ações da Samsung Electronics e da fabricante de chips de memória e semicondutores SK Hynix, que recuaram respectivamente 13,4% e 14,7%.

A queda reforça os temores de uma possível bolha no setor de inteligência artificial, pois o crescimento das companhias chinesas traz mais concorrência e pode reduzir drasticamente as margens das empresas sul-coreanas e norte-americanas.

Às 10h58 (horário de Brasília) o bitcoin caía 3,3% em um período de 24 horas, a US$ 63.006 por unidade.

Impacto da CXMT no bitcoin

Segundo Fabrício Tota, vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin (MB), o grande evento do mercado veio da China, com a estreia na bolsa de Xangai da fabricante de chips de memória CXMT, que disparou 466% no primeiro dia de negociação. “Parte da liquidez foi redirecionada para a nova empresa, enquanto concorrentes asiáticas e ações ligadas a semicondutores perderam força”, afirma Tota.

O executivo do MB diz que o sucesso da CXMT trouxe um movimento de aversão a risco em tecnologia, com investidores vendendo ativos mais líquidos, como o bitcoin, para recompor posições e cobrir margens em mercados tradicionais. “Esse choque ajuda a explicar por que o BTC caiu mesmo após dias de melhora na geopolítica”, argumenta.

Em relatório, a consultoria Vault Capital afirma que as próximas 72 horas podem decidir os mercados pelo restante do trimestre. Afinal, será amanhã a decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) nos Estados Unidos. Em seguida, saem os resultados corporativos de Microsoft e Meta (Facebook).

No dia seguinte, sai o dado de Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE) e o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre, junto com os resultados de Apple e Amazon. “PIB fraco com inflação quente é a pior combinação possível para o Fed, e ela está em jogo na mesma manhã”, destaca Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vault.

Gráfico do preço do bitcoin

Gráfico do preço do bitcoin (crédito: Vault Capital)

Camargos avalia que uma manutenção dos juros dos EUA no patamar atual junto com projeções de inflação menos pessimistas desarmaria o maior vetor de pressão e daria ao investidor comprado em bitcoin a chance de defender os US$ 62 mil e devolver o preço à faixa de US$ 64.259 a US$ 65.571.

Por outro lado, alta de juros ou projeções mais pessimistas dos membros do Federal Reserve (Fed) deixarão o mercado sem proteção, levando os US$ 62 mil a cederem e os US$ 60 mil a se tornarem o novo campo de batalha entre comprados e vendidos.

ETFs e sentimento do mercado pioram

Ontem foi registrado um saldo líquido negativo de US$ 11,6 milhões nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista dos EUA. O maior alvo de saques foi o IBIT, da BlackRock, com US$ 8,8 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras.

Tabela de saldos nos ETFs de bitcoin

Tabela de saldos nos ETFs de bitcoin (crédito: Farside Investors)

Nos ETFs da criptomoeda ether, por outro lado, o fluxo foi positivo em US$ 11,7 milhões.

Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas caiu dos 38 para 34 pontos. Com a queda, o mercado se aprofunda mais um pouco na zona de prevalência do “medo”.

O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.

Trump volta a ameaçar, mas sem ataques

Do lado geopolítico, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ao site Axios que decidiu suspender os ataques ao Irã para dar mais uma chance às negociações. Porém, disse que pode ordenar a retomada das ações militares se a diplomacia fracassar.

Trump declarou ainda que não pretende dar “muito tempo” à diplomacia. “Ou acontece rápido, ou não acontece”.

Enquanto isso, o petróleo segue em queda, com o barril do Brent recuando 2,5% hoje, a US$ 83,74, depois de chegar a bater US$ 100 recentemente. A desvalorização da commodity começou no fim de semana, quando os EUA interromperam os ataques ao Irã.

Um petróleo mais barato ajuda a reduzir os preços de combustíveis globalmente, o que também traz um alívio na inflação. Esta é uma das principais apostas dos investidores que esperam um Fomc mais comedido amanhã, sem sinalizações de alta de juros na maior economia do mundo.

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