Patrocínio:
(Bruno Faiotto/Exame)
Agência de notícias
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 11h30.
O grande colapso do mercado cripto em outubro devastou os market makers, encerrando uma era em que traders conseguiam ganhar dinheiro com relativa facilidade, segundo a exchange cripto BitMEX.
A queda entre 10 e 11 de outubro eliminou US$ 20 bilhões no que foi “o evento mais destrutivo para market makers sofisticados na história das criptomoedas”, afirmou a BitMEX em seu relatório State of Crypto Perpetual Swaps in 2025, divulgado na quinta-feira.
Um ciclo de retroalimentação de auto-deleveraging — em que as exchanges liquidam posições alavancadas e lucrativas para se proteger e evitar perdas adicionais — quebrou as “estratégias ‘seguras’ delta-neutras” dos market makers, forçando-os a retirar liquidez e deixando os livros de ordens nos níveis mais baixos em anos, disse a BitMEX.
“Por anos, os perpetual swaps foram uma grande fonte de alfa para rendimento: farmar o funding, capturar o spread e confiar no motor da exchange para manter as paredes”, acrescentou. “Essa era de rendimento fácil e estabilidade estrutural parece ter terminado em 2025.”
Os market makers são fundamentais para garantir que sempre existam contrapartes para as negociações. Eles geralmente mantêm cripto e apostam contra, ou fazem short do token, para minimizar o risco.
Quando os mecanismos de auto-deleveraging durante o crash de outubro fecharam à força os short hedges dos market makers, eles ficaram com “posições à vista sem proteção em um mercado em queda livre”.
“Essa quebra da promessa de ‘neutralidade’ levou os MMs [market makers] a retirar liquidez globalmente no 4º trimestre, resultando nos livros de ordens mais rasos vistos desde 2022”, disse a BitMEX.
A BitMEX afirmou que a estratégia em que traders arbitravam entre os mercados à vista e futuros “tornou-se superlotada”, com taxas de funding caindo para 4%, “matando a operação de funding rate” e passando a ter desempenho inferior ao dos títulos do Tesouro.
Enquanto isso, a BitMEX acrescentou que o ano passado também viu o mercado se dividir entre “fair matchers” e “exchanges predatórias B-Book”, nas quais a plataforma atua como market maker e possui cláusulas de “‘negociação anormal’ para anular operações lucrativas”.
“Ficou claro que operações agressivas de B-Book estavam ficando do outro lado das negociações dos usuários e se recusando a pagar quando perdiam”, disse a BitMEX.
A BitMEX também observou que os volumes de negociação cripto “migraram agressivamente para DEXs de perps de alto desempenho como a Hyperliquid”, mas alertou que a descentralização não é a solução para manipulação de mercado.
Segundo a empresa, o lançamento do token Plasma (XPL) em setembro deu aos atacantes um “mapa de liquidações” e permitiu que tokens ilíquidos de pré-lançamento, sem oráculo de preços, fossem manipulados para acionar liquidações em posições de perps on-chain.
A BitMEX argumentou que o ataque “demonstrou que a transparência on-chain não consegue proteger os usuários tanto quanto exchanges centralizadas [CEXs] confiáveis”.
“O fracasso de plataformas não comprovadas e de alto risco limpou o terreno para que exchanges testadas em batalha e inovações genuínas prosperem”, concluiu.
Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | X | YouTube | Tik Tok