Criador de criptomoeda que caiu 99,9% pode virar procurado da Interpol e diz: "Não estou fugindo"

Pedido de prisão já foi emitido para criador da Luna na Coreia do Sul e Do Kwon pode integrar lista de “alerta vermelho” da Interpol; colapso da criptomoeda gerou prejuízo bilionário em maio de 2022
Criptomoeda Luna caiu mais de 99,9% em maio (EXAME/Exame)
Criptomoeda Luna caiu mais de 99,9% em maio (EXAME/Exame)
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Mariana Maria Silva

Publicado em 19/09/2022 às 17:58.

Última atualização em 19/09/2022 às 18:17.

Depois das criptomoedas Luna e UST terem colapsado em maio deste ano, autoridades da Coreia do Sul estariam em uma verdadeira caçada aos responsáveis pelo projeto. Após o Tribunal de Justiça do país ter emitido um mandado de prisão contra Do Kwon, o criador do ecossistema Terra, agora, seu nome pode entrar para a lista de “alerta vermelho” da Interpol.

Ele e outras cinco pessoas são acusadas de violar a Lei do Mercado de Capitais da Coreia do Sul, segundo infirmações do escritório do promotor enviadas à Bloomberg News.

Envolvidos no desenvolvimento do ecossistema Terra, que abrigava as criptomoedas Luna e UST, Do Kwon e as outras cinco pessoas não identificadas foram considerados responsáveis pelo maior colapso da história das criptomoedas.

(Mynt/Divulgação)

Em menos de uma semana, a Luna caiu 99,9% e foi de aproximadamente US$ 80 a zero. Especialistas creditaram a culpa no mecanismo de queima da UST. Luna e UST eram criptomoedas “irmãs” cuja emissão dependia uma da outra, já que para cada UST emitida uma Luna era queimada e vice-versa.

Enquanto a Luna era uma criptomoeda “comum”, UST era uma stablecoin, ou seja, uma criptomoeda com valor estável que acompanhava o preço do dólar americano. Quando o preço da Luna começou a despencar em um mercado de baixa que afetou todas as criptomoedas em 2022, a estabilidade da UST não conseguiu se manter.

Apesar disso, Kwon negou o tempo todo que haviam irregularidades no sistema e reiterou seu compromisso com o ecossistema Terra e o relançamento do token Luna. Após o colapso, a criptomoeda declarada como “morta” foi renomeada para Luna Classic (LUNC) enquanto uma nova Luna foi lançada.

Mesmo com o mandado de prisão emitido, as autoridades afirmam não conseguir prender Do Kwon, pois este não se encontra mais em seu país natal. Ele estaria morando em Singapura, onde não há acordo de extradição com a Coreia do Sul.

No entanto, a Força Policial de Singapura afirma que Kwon também não estaria por lá e que ajudará as autoridades sul-coreanas no âmbito de suas leis domésticas e obrigações internacionais.

Diante da falta de informações sobre a real localização de Do Kwon, promotores sul-coreanos teriam solicitado que a Interpol intervisse, incluindo o nome do criador da Luna em sua lista de “alerta vermelho” e revogando seu passaporte.

Um alerta vermelho, segundo a Interpol, é utilizado pelas autoridades para “localizar e prender provisoriamente uma pessoa pendente de extradição, entrega ou ação legal similar”. No entanto, a agência não pode obrigar as autoridades locais a prender o sujeito de tal notificação.

“Estamos fazendo o nosso melhor para localizar e prender [Kwon]”, disse um porta-voz da promotoria. “Ele está claramente fugindo, pois os principais funcionários financeiros de sua empresa também partiram para o mesmo país durante esse período.”

Kwon utilizou as redes sociais no último final de semana para negar que estaria fugindo. Sem revelar onde está, o criador da Luna afirmou que a comunidade cripto “não tem nada a ver com suas coordenadas de GPS” e que estaria aberto à cooperação com as autoridades, pois “não tem nada a esconder”.

“Não estou “fugindo” ou algo semelhante — para qualquer agência governamental que tenha demonstrado interesse em se comunicar, totalmente abertos à cooperação e não temos nada a esconder”, disse. “Estamos no processo de nos defender em várias jurisdições — nos mantivemos em um nível extremamente alto de integridade e esperamos esclarecer a verdade nos próximos meses”.

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