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Editora do Future of Money
Publicado em 28 de abril de 2026 às 10h04.
Nesta terça-feira, 28, o bitcoin inicia o dia negociado em queda, retornando para o patamar de US$ 76 mil após ter chegado aos US$ 78 mil nas últimas 24 horas. A maior criptomoeda, no entanto, ainda pode continuar subindo, mas o mercado como um todo deve estar mais sensível ao longo da semana. Isso porque além dos conflitos geopolíticos, que devem continuar impactando a cotação de ativos de risco como as criptomoedas, o calendário macroeconômico possui eventos importantes, como a decisão de juros dos Estados Unidos.
No momento, o bitcoin é cotado a US$ 76.348, com queda de 1,7% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinMarketCap. Nos últimos trinta dias, a criptomoeda ainda acumula alta de mais de 14%.
Por outro lado, o Índice de Medo e Ganância, utilizado para medir o sentimento do mercado cripto, voltou a sinalizar "medo" em 33 pontos. O indicador que vai de 0 a 100 havia voltado a sinalizar sentimento neutro nos últimos dias, após meses de "medo extremo" em suas pontuações mais baixas, chegando a 5.
"Depois de quatro semanas consecutivas de alta, o mercado de criptoativos começa a semana em queda, reduzindo riscos diante de uma agenda macroeconômica bastante pesada. O principal evento é a decisão do Fed na quarta-feira, 29, com o mercado esperando manutenção dos juros, mas com atenção ao tom de Jerome Powell e aos sinais sobre a condução da política monetária nos próximos meses", disse Matheus Parizotto, analista-chefe de research da Mynt, plataforma cripto do BTG Pactual.
À EXAME, Matheus Parizotto destacou a importância de acompanhar os principais acontecimentos da agenda macroeconômica. Ao longo desta semana isso será ainda mais relevante, já que o calendário conta com a decisão de juros do Fed na quarta-feira, 29.
"Além do Fed, o mercado acompanha a divulgação do PIB e da inflação medida pelo PCE nos EUA, além dos balanços de gigantes de tecnologia como Microsoft, Amazon, Apple, Alphabet e Meta. Com as bolsas americanas já em máximas históricas, cresce o questionamento sobre o nível atual dos valuations, o que torna esses resultados ainda mais importantes para definir o humor dos ativos de risco", disse Parizotto.
"Dessa forma, a semana deve funcionar como um teste de convicção para a recuperação recente dos criptoativos, que vinha sendo sustentada por fluxos de ETFs e compras de empresas. Se o conjunto vier construtivo, o movimento de alta pode ganhar novo fôlego. Caso contrário, a correção em andamento tende a se aprofundar no curto prazo", acrescentou.
"O bitcoin apresenta expectativa de curto prazo neutra. O fortalecimento do dólar e a ausência de avanços concretos nas negociações geopolíticas limitam o apetite por risco no curtíssimo prazo. Por outro lado, o bitcoin continua demonstrando resiliência após o rali recente, sustentando níveis elevados e indicando presença de demanda estrutural. Esse equilíbrio entre pressão macro e fluxo positivo tende a manter o ativo em consolidação. No curto prazo, o ativo tende a oscilar entre US$ 74.5 mil e US$ 77.5 mil, com movimentos sensíveis a qualquer avanço ou deterioração no cenário geopolítico", disse André Franco, CEO da Boost Research.
Maximiliaan Michielsen, analista da 21 Shares, revelou quais são os caminhos possíveis para o bitcoin no curto a médio prazo. Para ele, o momento atual possui indicadores construtivos para a maior criptomoeda do mundo, como o o Índice de Força Relativa (RSI, na sigla em inglês), que está em 65 e segue em trajetória de alta. "Ao longo de todo o ano passado — inclusive até a máxima histórica — esse indicador vinha registrando topos descendentes, refletindo a tendência de queda que se seguiu", disse.
O analista da 21 Shares acrescentou ainda que o cenário geopolítico deve continuar decisivo para os rumos do mercado cripto, com uma possível escalada de conflitos no Oriente Médio levando a novas quedas. Confira os cenários possíveis apresentados por Maximiliaan Michielsen:
"Uma reescalada do conflito, combinada com rejeição na região de US$ 78 mil, pode levar o bitcoin de volta à faixa de suporte entre US$ 70 mil e US$ 74 mil, onde convergem as médias móveis de 50 e 100 dias. Uma perda de US$ 65 mil abriria espaço para o piso estrutural entre US$ 56 mil e US$ 60 mil, onde estão a média móvel de 200 semanas e o preço realizado".
"Consolidação na faixa entre US$ 74 mil e US$ 80 mil ao longo do restante do segundo trimestre, enquanto o mercado absorve a alta desde os fundos na região dos US$ 60 mil. Dada a concentração de oferta entre US$ 78 mil e US$ 86 mil e o contexto de ciclo — no pós-topo histórico, períodos de consolidação costumam durar mais alguns meses — uma correção adicional é plausível. Ainda assim, seria uma oportunidade saudável de reentrada, não uma quebra da estrutura".
"O nível de US$ 78 mil se mantém com convicção, confirmado por volume consistente em fechamentos semanais. Isso abriria caminho para a média móvel de 200 dias, na região de ~US$ 85 mil, como próximo grande alvo. Os vetores positivos estão alinhados, mas a oferta acima do preço e o posicionamento ainda cauteloso típico do ciclo de quatro anos indicam que o rompimento pode levar mais tempo para se concretizar".
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