Esporte

Os sinais de tensão da participação do Irã na Copa do Mundo

Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, a Fifa manteve a proibição do uso da bandeira iraniana anterior à Revolução Islâmica de 1979 dentro dos estádios

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 19 de junho de 2026 às 19h17.

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Uma bandeira do Irã pintada em um dos pilares do monotrilho no centro de Seattle, nos Estados Unidos, foi vandalizada. O símbolo faz parte de uma série de bandeiras de diferentes países exibidas na cidade como parte das ações relacionadas à Copa do Mundo de 2026.

A  cidade abriga o Lumen Field, conhecido como o "estádio mais barulhento do mundo", uma das arenas da Copa do Mundo.

A pintura fica no cruzamento da 5ª Avenida com a Stewart Street. No local, o emblema central — de cor vermelha e característico da República Islâmica do Irã, com o nome “Allah” estilizado e repetido 22 vezes na borda — foi coberto com tinta preta. Abaixo, foi escrita a palavra “Iran”.

Na próxima sexta-feira, 26 de junho, a seleção iraniana enfrenta o Egito no Seattle Field (Lumen Stadium), em partida válida pelo torneio.

Polêmica em torno da bandeira do Irã

Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, a Fifa manteve a proibição do uso da bandeira iraniana anterior à Revolução Islâmica de 1979 dentro dos estádios. A decisão foi confirmada após uma audiência de última hora realizada em Los Angeles.

O símbolo em questão traz um leão com um sol ao fundo no centro da bandeira. Embora tenha deixado de ser oficial há mais de quatro décadas, ele ainda é utilizado por grupos de oposição ao atual regime iraniano como representação de liberdade e resistência.

A Fifa classificou o emblema como símbolo político, com base no código de conduta dos estádios, e decidiu proibir sua exibição durante os jogos.

Segundo o juiz Curtis A. Kin, que analisou o caso, a liberdade de expressão é um princípio fundamental, mas não é absoluta, especialmente em propriedades privadas. “A liberdade de expressão é extremamente importante, mas possui limitações, como no caso de ações privadas em propriedades privadas, conforme já demonstrado em decisões anteriores”, afirmou, ao negar o pedido para derrubar a proibição.

Protestos e divisão entre torcedores

A participação do Irã no Mundial tem sido marcada por tensões desde o início do conflito no país, o que também refletiu na comunidade iraniana nos Estados Unidos.

Na última segunda-feira, durante a estreia da seleção, centenas de iranianos-americanos realizaram protestos nos arredores do estádio, pedindo mudanças políticas em Teerã. Manifestantes exibiram bandeiras com o símbolo do leão e do sol, enquanto torcedores entravam para assistir à partida.

 

Dentro do estádio, houve reações divididas durante a execução do hino nacional iraniano. Parte do público aplaudiu, enquanto outra vaiou. O jogo contra a Nova Zelândia terminou empatado em 2 a 2.

 

 

Alguns espectadores também levaram bandeiras do antigo regime para as primeiras fileiras, poucas horas depois de a Justiça manter a decisão da Fifa.

Do lado de fora, manifestantes afirmaram que a seleção representa o governo iraniano. Já torcedores presentes no local disseram tentar separar o futebol da política. Em um dos episódios registrados, um grupo de manifestantes tomou a bandeira oficial do Irã de um torcedor, pisoteou o objeto e o rasgou.

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