Edgar Diniz, Casimiro Miguel e Sergio Lopes: linguagem conectada com as redes (Leandro Fonseca /Exame)
Redação Exame
Publicado em 19 de junho de 2026 às 19h18.
Última atualização em 19 de junho de 2026 às 19h20.
Enquanto parte do mercado tenta transformar criadores de conteúdo em executivos, Casimiro Miguel faz o caminho inverso. Mesmo após entrar oficialmente na sociedade da LiveMode, empresa responsável pela CazéTV, o jornalista insiste que sua função permanece a mesma.
"Eu sou um jornalista. Sou um cara normal. Não me vejo como o empresário Casimiro", afirmou Casimiro, que desde novembro atua como sócio da LiveMode.
Da live no quarto ao bilhão na Copa: o plano da CazéTV para reinventar o jogoA declaração ajuda a entender uma estrutura construída sobre uma divisão clara: Casimiro fala com a audiência. Enquanto os negócios por trás da empresa de mídia ficam com os sócios Edgar Diniz e Sergio Lopes.
"A gente não precisa do Casimiro empresário. Deixa que a gente faz a parte chata do lado de cá", brincou Sergio Lopes.
A definição das posições dos executivos dentro da holding faz parte da estratégia de consolidar o protagonismo da CazéTV diante forte concorrência das transmissões esportivas, especialmente em meio à Copa do Mundo.
"O que vai nos levar adiante não é o jeito que a gente faz, é a inquietude de fazer coisas novas. No Vasco e no Fluminense, fizemos meu aniversário no gramado do Maracanã. Quando trouxemos a ideia para o Maracanã, eles falaram 'não tem como', explicou Casimiro.
Para o fundador da CazéTV, o questionamento constante é um dos segredos para o diferencial da empresa no mercado, pois contribui para o estreitamento dos laços com os clubes e atrai o público.
"As coisas estão sendo feitas de uma forma igual por muito tempo. A nossa inquietude é questionar. Não queremos fazer nada proibido, mas queremos que algumas coisas possam ser repensadas. Porque isso aproxima o público dos times, dos jogadores, aproxima os jogadores do público".
Os donos da Copa: como a CazéTV transformou lives em negócio bilionárioSegundo Casimiro Miguel, a liberdade editorial também traz grandes responsabilidades no relacionamento com os jogadores. E isso estimula uma abertura que não se encontra em outros conteúdos e formatos.
"Você não precisa ser amigo do jogador, mas ele precisa estar num ambiente seguro para falar coisas que não falaria num ambiente inseguro. O jornalismo está num ambiente de 'eles lá e a gente aqui', só que às vezes eles estão tão lá, e a gente tão aqui, que você não tem mais contato. Isso é um problema".
Para Edgar Diniz, a grande missão da CazéTV e da LiveMode é desenvolver novos caminhos para o esporte, para que viabilizar sua conexão com as novas gerações.
"Precisávamos entender o que o público estava querendo de diferente, e construir os canais de distribuição para chegar às novas gerações. Tínhamos também a visão da fragmentação dos canais de distribuição, e pensamos em como montar essa combinação de coisas e fazer disso uma revolução", disse o executivo.
Por outro lado, Sergio Lopes reforça que a companhia entendeu que a fragmentação da mídia representou um desafio para o mercado esportivo, mas ampliou a oportunidade de digitalização.
"Como LiveMode, trabalhamos com as entidades esportivas e entendemos as dores do momento de fragmentação da mídia. Sabíamos que o esporte tinha que entrar no mundo digital com uma linguagem própria e conectada com esse público das redes sociais e das plataformas de streaming".