Annika Malacinski, Alexa Brabec e Tara Geragthy-Moats, dos Estados Unidos: combinado nórdico feminino não é uma modalidade das Olimpíadas de Inverno de 2026 (Sandra Volk/NordicFocus/Getty Images)
Repórter
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 15h15.
O combinado nórdico é, em 2026, o único esporte sem participação feminina nos Jogos Olímpicos de Inverno. A exclusão das mulheres da modalidade, presente no programa olímpico desde 1924, tem provocado críticas públicas de atletas e reacendido o debate sobre equidade de gênero no esporte olímpico.
Uma das vozes mais ativas é a da americana Annika Malacinski, de 24 anos, que compete no circuito internacional da modalidade e vem usando as redes sociais para chamar atenção para o tema.
O esporte reúne duas provas distintas, salto de esqui e esqui cross-country, e premia o atleta mais completo. Apesar de sua tradição nos Jogos de Inverno, a modalidade permanece restrita aos homens no programa olímpico.
A decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) frustrou a expectativa criada após Pequim-2022, quando atletas e federações passaram a defender publicamente a inclusão feminina já em Milão-Cortina 2026.
Malacinski, que ocupa atualmente a 10ª posição do ranking mundial, não poderá competir nos Jogos justamente por ser mulher. Em entrevista ao ge, a atleta criticou duramente a decisão do COI e a forma como o processo foi conduzido.
Segundo Annika, o combinado nórdico olímpico “só é acessível para os homens”, apesar de as mulheres já disputarem provas internacionais e terem ampliado o calendário competitivo. Ela afirmou que, mesmo com avanços, a decisão final ficou nas mãos de dirigentes que “podem simplesmente dizer ‘não’”.
A frustração se intensifica no âmbito familiar. Annika vai acompanhar os Jogos em Cortina d’Ampezzo torcendo pelo irmão, Niklas, que disputa a mesma modalidade. “A única razão de eu não estar lá também é porque sou mulher”, afirmou, dizendo que, em pleno 2026, a situação é “nojenta” e “simplesmente injusta”.
Em uma publicação recente no Instagram, escrita em inglês, Annika reafirmou o sonho de se tornar atleta olímpica. Ela escreveu que compete pelos Estados Unidos no combinado nórdico feminino e destacou que, apesar de competir em alto nível, as mulheres “ainda não são permitidas nas Olimpíadas”, não por falta de capacidade, mas porque o evento simplesmente não está incluído no programa.
Na mensagem, Annika afirma que ela e as companheiras seguem “falando, protestando e lutando” pelo direito de participar os Jogos.
Apesar da frustração, Annika mantém o sonho olímpico vivo. Ao falar sobre a possibilidade de competir em 2030, a atleta se emocionou e afirmou que sente que deve a si mesma ao menos tentar, caso as mulheres finalmente sejam incluídas no programa.
Segundo ela, a trajetória no combinado nórdico exigiu não apenas desempenho esportivo, mas também ativismo. “Foi muito mais difícil do que só ser atleta”, disse, ao defender que as mulheres da modalidade competem em dois esportes distintos e merecem o mesmo reconhecimento olímpico.
Procurado pelo ge, o COI afirmou, em nota, que “reconhece os desafios que a modalidade do combinado nórdico enfrenta, tanto homens como mulheres”. Segundo o Comitê, a decisão foi manter a competição masculina em 2026 e reavaliar o esporte após os Jogos de Milão-Cortina.
A entidade informou que, após essa avaliação, tomará a decisão sobre a inclusão do combinado nórdico, tanto masculino quanto feminino, no programa dos Jogos de Inverno dos Alpes Franceses de 2030.
O COI citou fatores como baixa audiência, concentração de medalhas em poucas nações e desafios de representatividade internacional como elementos que pesaram na decisão.
De acordo com o comitê, a modalidade teve “de longe, a pior audiência” nas últimas edições dos Jogos e enfrenta dificuldades para ampliar popularidade e universalidade, especialmente fora da Europa.