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Monza nos brinda com uma corrida estupenda

Aos 20 anos, Andrea Kimi Antonelli largou em 19º, superou o companheiro Russell nas voltas finais e se tornou o primeiro italiano a vencer em casa desde 1966

Rafael Davini
Rafael Davini

Chief Sales Officer (CSO)

Publicado em 8 de setembro de 2026 às 13h00.

Última atualização em 13 de setembro de 2026 às 13h50.

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O Grande Prêmio da Itália deste domingo foi muito mais do que uma corrida de Fórmula 1. Foi um daqueles espetáculos capazes de reafirmar por que Monza ocupa um lugar tão especial na história do automobilismo.

Inaugurado em 1922, o Autódromo Nacional de Monza integra o calendário da Fórmula 1 desde 1950, ano de nascimento do campeonato mundial moderno. Em 2026, quando a categoria completa 76 anos, o chamado “Templo da Velocidade” voltou a oferecer uma prova à altura de sua tradição.

A expectativa já era enorme antes da largada. Andrea Kimi Antonelli, italiano e líder do campeonato, teria de partir apenas da 19ª posição devido a uma penalização pela troca de componentes do motor de sua Mercedes. A missão parecia quase impossível: atravessar praticamente todo o pelotão e ainda lutar pela vitória diante de uma multidão formada, em sua maioria, pelos apaixonados tifosi da Ferrari.

Antonelli, porém, transformou o improvável em realidade.

Mesmo sem pilotar um carro italiano, ele conseguiu despertar a admiração do público de Monza. Afinal, tratava-se de um jovem de apenas 20 anos tentando se tornar o primeiro italiano a vencer o GP da Itália desde Ludovico Scarfiotti, em 1966.

Desde o início da temporada, Antonelli não para de quebrar recordes e surpreender. Sua vitória em Monza foi a sétima do ano e reforçou a impressão de que estamos diante de uma das maiores revelações das últimas décadas. Ainda é cedo para afirmar até onde ele chegará, mas talento, velocidade, maturidade e coragem não lhe faltam para construir uma trajetória entre os grandes nomes da história da Fórmula 1.

Sua ascensão também confirma a ousadia de Toto Wolff, chefe e coproprietário da equipe Mercedes. Antonelli foi uma aposta pessoal de Wolff, que decidiu colocá-lo na Fórmula 1 mesmo diante das dúvidas naturais sobre a pouca idade e a falta de experiência do piloto.

Em 2025, o jovem italiano precisou mostrar seu valor em um carro que ainda não disputava regularmente as vitórias. Nesta temporada, porém, a Mercedes voltou a ser a referência do campeonato — o carro a ser batido pelas demais equipes. E Antonelli soube aproveitar essa oportunidade de maneira extraordinária.

Monza também mostrou a força da dupla da Mercedes. Durante boa parte da prova, Antonelli e George Russell protagonizaram uma disputa emocionante, intensa e, acima de tudo, limpa. Os dois correram no limite, alternaram posições e demonstraram que é possível lutar por uma vitória sem ultrapassar a fronteira da esportividade.

A dinâmica da corrida mudou após o forte acidente de Charles Leclerc. O piloto da Ferrari perdeu o controle do carro e atingiu as barreiras, provocando uma bandeira vermelha. A interrupção permitiu que os pilotos trocassem os pneus, levando algumas equipes a optar por compostos mais duros, com a intenção de chegar ao final sem uma nova parada.

Russell seguiu essa estratégia. Antonelli, por sua vez, fez uma escolha diferente.

O italiano realizou uma nova troca de pneus durante um período de virtual safety car. Em um primeiro momento, a decisão parecia comprometer sua extraordinária recuperação, pois ele retornou à pista novamente atrás de vários adversários. Na prática, foi justamente essa estratégia que lhe deu pneus em melhores condições para atacar nas voltas decisivas.

Antonelli iniciou, então, uma segunda escalada pelo pelotão. Depois de sair da 19ª colocação, conquistar posições e chegar à liderança, precisou recuperar terreno mais uma vez. Com enorme agressividade, mas sem cometer erros, superou seus adversários e alcançou Russell nas voltas finais.

A ultrapassagem sobre o companheiro de equipe, a apenas três voltas da bandeirada, coroou uma atuação histórica. Russell, já sofrendo com o desgaste de seus pneus, não conseguiu responder. Antonelli cruzou a linha de chegada na primeira posição, seguido pelo britânico, garantindo uma dobradinha para a Mercedes. Max Verstappen completou o pódio para a Red Bull.

Mais do que o resultado, impressionou a forma como a vitória foi construída. Antonelli saiu do fundo do grid, enfrentou tráfego, administrou as interrupções, executou uma estratégia ousada e realizou uma sucessão de ultrapassagens. Foi uma demonstração completa de velocidade, inteligência e capacidade de decisão.

A corrida durou mais de duas horas em razão da bandeira vermelha e das intervenções do safety car virtual. Ainda assim, em nenhum momento perdeu sua intensidade. Além da batalha entre os pilotos da Mercedes, diferentes disputas se espalharam pelo pelotão, mantendo a prova aberta e imprevisível até as últimas voltas.

Monza reviveu os grandes momentos da Fórmula 1: carros velozes, estratégias distintas, ultrapassagens, rivalidade entre companheiros de equipe e um jovem piloto realizando uma corrida que permanecerá por muito tempo na memória dos torcedores.

O cenário tornou tudo ainda mais especial. Em um domingo ensolarado, Antonelli venceu diante de sua torcida e encerrou uma espera italiana de 60 anos por uma vitória em casa. Por alguns instantes, até mesmo o vermelho da Ferrari pareceu se misturar ao preto e prata da Mercedes.

Mais de 400 mil pessoas passaram pelo autódromo durante o fim de semana, estabelecendo outro marco para o evento. É mais uma demonstração do extraordinário momento vivido pela Fórmula 1, resultado de uma estratégia muito bem-sucedida de promoção, renovação de público e valorização de seu espetáculo.

Monza nos brindou com uma corrida estupenda. Uma prova cheia de emoção, história e significado — daquelas que terminam deixando imediatamente a vontade de assistir à próxima.

Resta agora a esperança de que o espetáculo vivido no Templo da Velocidade possa se repetir nas próximas etapas. Porque, quando a Fórmula 1 reúne tradição, grandes pilotos, disputas limpas e imprevisibilidade, poucos esportes conseguem ser tão emocionantes.

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