O Estádio do Maracanã, pivô de nova disputa jurídica e institucional entre Flamengo e Vasco. (Ricardo Moraes/Reuters)
Redator na Exame
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 14h32.
RESUMO | O Flamengo publicou uma nota oficial nesta terça-feira, 6, criticando duramente a recomendação do Ministério Público do Rio de Janeiro para que o confronto entre Vasco da Gama e Boca Juniors, pela semifinal da Copa Sul-Americana, seja realizado no Estádio do Maracanã.
A novela institucional envolvendo a utilização do Maracanã ganhou um novo e tenso capítulo na tarde desta terça-feira, 6. Após o Ministério Público do Rio de Janeiro emitir uma recomendação oficial para que a partida entre Vasco da Gama e Boca Juniors — válida pela semifinal da Copa Sul-Americana — seja realizada no principal palco do futebol carioca no próximo dia 20 de outubro, o Flamengo reagiu com firmeza e publicou uma nota oficial contestando duramente a investida do órgão.
No documento divulgado à imprensa, a diretoria rubro-negra questiona sem meias-palavras a legitimidade e a competência técnica do Ministério Público para se imiscuir na avaliação das condições do estádio, rechaçando qualquer tentativa de imposição sobre onde os clubes devem mandar suas partidas.
A manifestação da diretoria do Flamengo rebate os argumentos levantados pelo Ministério Público, que justificou a recomendação com base na grande mobilização de torcidas e em supostos ganhos de segurança em relação a São Januário. Para o clube rubro-negro, a tentativa de desconsiderar laudos técnicos oficiais abre um precedente perigoso de ingerência na gestão do complexo esportivo gerido pelo Consórcio Fla-Flu.
Na nota, o clube dispara:
“Com base em qual competência técnica o Ministério Público pretende desconsiderar esses laudos e substituir a avaliação de quem efetivamente responde por essa atribuição? Não cabe ao Ministério Público escolher onde os clubes devem mandar seus jogos. Se existem elementos técnicos que invalidem os laudos apresentados, que sejam demonstrados objetivamente” — questiona o comunicado.
Segundo o GE, a pressão sobre a diretoria cruz-maltina aumenta nos bastidores. O Vasco tenta viabilizar o Maracanã uma vez que São Januário não atende às exigências mínimas de capacidade estabelecidas pela CONMEBOL para semifinais continentais (mínimo de 30 mil lugares), embora dialogue com órgãos locais e conte com a preferência velada da Polícia Militar e da própria entidade sul-americana por razões operacionais.
Do outro lado, o argumento do MP de que o gramado suportaria a maratona — citando que o Maracanã já abrigou dois jogos em um intervalo de 48 horas em nove ocasiões ao longo de 2026 — esbarra na irredutibilidade jurídica e administrativa da dupla Fla-Flu, prometendo novos desdobramentos nos tribunais nas próximas horas.
De acordo com o GE, enquanto o Flamengo endurece o tom nos bastidores e questiona a legitimidade da intervenção governamental, a diretoria do Vasco da Gama intensificou sua movimentação nos tribunais. O clube protocolou uma nova petição no agravo de instrumento nesta terça-feira, 6, informando formalmente à Justiça que desistiu de levar o duelo contra o Boca Juniors para fora do Estado do Rio de Janeiro.
A reviravolta no planejamento cruz-maltino foi definida em reunião da alta administração da SAF vascaína, motivada diretamente pelo fôlego político dado pela recomendação oficial do Ministério Público ao Consórcio Fla-Flu. Antes de optar por fixar o mando em território fluminense, a diretoria havia sondado alternativas fora do estado — chegando a consultar administrativamente a administração da Arena da Amazônia, em Manaus, além de avaliar o Estádio Mané Garrincha, em Brasília.
Com a decisão de manter a partida no Rio, a cúpula vascaína passou a contar com um fator logístico determinante estabelecido pela CONMEBOL: caso optasse por atuar em outro estado, o clube teria de oficializar o local até 15 dias antes do confronto, prazo limite que se encerrou na última segunda-feira, 5.
Agora, a defesa do Vasco apela pela urgência de um veredito judicial até o próximo sábado, 10 de outubro, data que passa a reger o cronograma limite para a definição do estádio que receberá o jogo.
O clube publicou uma nota oficial questionando a competência técnica do MP para decidir onde os clubes devem mandar seus jogos e rejeitando a interferência no Maracanã.
Trata-se da partida de semifinal da Copa Sul-Americana entre Vasco da Gama e Boca Juniors, marcada para o dia 20 de outubro de 2026.
O estádio cruz-maltino não atende ao requisito mínimo de capacidade exigido pela CONMEBOL para partidas de semifinal, que é de pelo menos 30 mil lugares.
Não. Trata-se de uma recomendação formal e não de uma ordem judicial obrigatória, mantendo o impasse jurídico entre os clubes e os administradores do Maracanã.