Esporte

Após garantir hexa no surfe, Filipe Toledo torce pelo 6º título no futebol e aponta rival para 2023

Campeão mundial pela primeira vez, brasileiro fala com exclusividade à EXAME sobre temporada perfeita, aponta rival para o ano que vem e diz que Brasil é o país do surfe

Filipe Toledo: após garantir hexa no surfe, surfista torce pelo 6º título no futebol e aponta rival para 2023 (Thiago Diz/World Surf League/Reprodução)

Filipe Toledo: após garantir hexa no surfe, surfista torce pelo 6º título no futebol e aponta rival para 2023 (Thiago Diz/World Surf League/Reprodução)

G
Gabriel Rubinsteinn

10 de setembro de 2022, 09h08

Enquanto a torcida brasileira aguarda há duas décadas pelo sonhado hexacampeonato mundial de futebol, no surfe isso já virou realidade. Com o título de Filipe Toledo, o país chegou ao sexto triunfo na Liga Mundial de Surfe (WSL, na sigla em inglês) em apenas oito anos. O país do futebol se tornou o país do surfe? "Agora mais do que nunca", brincou o campeão.

Em entrevista exclusiva à EXAME, concedida em Los Angeles (EUA) no dia seguinte à conquista, o atleta de Ubatuba se mostrou aliviado com a vitória, depois de bater na trave em outras oportunidades - em 2021, por exemplo, acabou na segunda colocação, ao ser derrotado por Gabriel Medina na bateria decisiva.

Medina, aliás, inaugurou a sequência de títulos brasileiros, com a vitória em 2014 – mais tarde, venceu também em 2018 e 2021. Depois dele vieram Adriano de Souza (2015) e Ítalo Ferreira (2019). Apenas o havaiano John John Florence, campeão em 2016 e 2017, interrompeu a sequência verde e amarela no lugar mais alto do pódio do surfe mundial.

Receba as notícias mais relevantes do Brasil e do mundo toda manhã no seu e-mail. Cadastre-se na newsletter gratuita EXAME Desperta.

Filipe acredita que mais títulos estão por vir para a "Brazilian Storm", como ficou conhecida esta geração de surfistas brasileiros que assumiu posição de protagonismo no esporte. "Ainda faltam alguns brasileiros pra ganhar o título mundial e fechar com chave de ouro. E todos do país que estão no circuito hoje têm o talento, a determinação e o surfe pra serem campeões. Gostaria muito de ver todos com uma taça dessa em casa. Torço muito por eles", comentou.

Final brasileira e audiência recorde para a WSL

Para garantir o título da temporada 2022, Filipe Toledo chegou à grande final do surfe mundial - etapa chamada de WSL Finals - como o primeiro do ranking e a vantagem de poder esperar a definição de quem seria seu adversário na decisão.

Ítalo Ferreira, o quarto do ranking, superou três adversários para se credenciar ao título na grande final - passou pelo japonês Kanoa Igarashi, algoz de Gabriel Medina nas semifinais das últimas Olimpíadas, e pelos australianos Ethan Ewing e Jack Robinson.

Questionado se o fato de enfrentar alguém que já surfou várias baterias no mesmo dia, que chega embalado e com melhor ritmo, poderia ser uma desvantagem para o líder do ranking, Filipe discordou: "O cansaço é pior, e eu sei bem, porque no ano passado vivi isso. Surfei quatro baterias ao longo do dia e na última eu estava bem cansado. Chegar e surfar duas, com a energia carregada, foi essencial".

A decisão contra o compatriota Ítalo Ferreira, em formato melhor de três, foi decidida em apenas duas. E contou com a maior audiência da história do surfe mundial. Segundo a WSL, foram 21 milhões de telespectadores durante a disputa, exibida no site da WSL, no YouTube e, no caso do Brasil, também no site Globoesporte.

LEIA TAMBÉM: Surfe para cães: conheça esse curioso torneio da Califórnia

Campeão mundial de surfe agora quer mais

Filipe Toledo esperava o título mundial há anos, e chegou perto diversas vezes. Já foi apontado até pelo maior nome da história do esporte, o norte-americano Kelly Slater, como o maior surfista sem título de temporada em atividade.

A expectativa e as cobranças tornaram a vitória da última quinta também um alívio para o brasileiro: "Traz uma confiança a mais, um alivio. Mas agora é aquela coisa que a gente fala de quando o mosquitinho morde e dá mais vontade. Demorou pra chegar, mas chegou na hora certa. Se Deus quiser vai ser o primeiro de alguns. E vou dar meu máximo pra isso".

Ele diz que vai aproveitar o resto do ano para ficar com a família e com os amigos, algo difícil de fazer com as incontáveis viagens durante cada temporada, mas já começa a mirar a preparação para lutar pelo bicampeonato no ano que vem: "Claro que tem que comemorar, aproveitar, ser feliz e dar um relax, mas saber a hora de voltar também. O ano passa rápido".

Em 2023, ele apontou um possível novo rival para a disputa: "O Miguel Pupo fez uma campanha incrível esse ano, acho que no ano que vem ele vai chegar forte aqui", disse, em referÊncia ao compatriota, natural da praia de Maresias, em São Sebastião (SP).

E, apesar de acreditar que agora, depois do sexto título, já dá para chamar o Brasil de país do surfe, o novo campeão mundial também acredita na força da Seleção Brasileira de futebol para a Copa do Mundo do Catar: "Esse ano a Seleção está muito bem, acho que vão trazer o hexa no futebol também".

LEIA TAMBÉM: Campeã e recordista no surfe feminino, Stephanie Gilmore pensou em desistir da temporada 2022